Lula com evangélicos. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Os evangélicos representam hoje uma parcela significativa do eleitorado brasileiro. Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que cerca de 26% a 30% da população se declara evangélica, o que significa que aproximadamente um em cada quatro brasileiros pertence a esse segmento religioso. No campo eleitoral, esse grupo tem peso estratégico relevante, especialmente em disputas nacionais.
Dentro desse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) historicamente enfrenta dificuldades para ampliar sua aceitação entre eleitores evangélicos, sobretudo quando comparado a outros segmentos religiosos, como os católicos.
Pesquisas de opinião realizadas nos últimos anos indicam que os índices de aprovação de Lula entre evangélicos costumam ser inferiores à média nacional. Em diversos levantamentos, a taxa de desaprovação dentro desse grupo aparece significativamente mais alta do que entre católicos ou pessoas sem religião.
Esse cenário ficou evidente nas eleições presidenciais de 2018 e 2022, quando a maioria do eleitorado evangélico demonstrou preferência por candidatos identificados com pautas conservadoras, especialmente Jair Bolsonaro (PL), que construiu forte vínculo com lideranças evangélicas.
Especialistas apontam alguns fatores centrais para essa resistência:
1. Pautas de costumes:
Grande parte do eleitorado evangélico tende a se posicionar de forma conservadora em temas como aborto, ideologia de gênero, políticas para população LGBTQIA+ e estrutura familiar. O PT e Lula, por outro lado, são frequentemente associados a agendas progressistas nessas áreas, o que gera desconfiança em parte desse público.
2. Construção de narrativa política:
Nos últimos anos, consolidou-se uma narrativa em setores evangélicos de que a esquerda teria posições contrárias a valores cristãos. Essa percepção, reforçada por lideranças religiosas e redes sociais, criou barreiras simbólicas importantes.
3. Influência de lideranças religiosas:
O crescimento das igrejas evangélicas ampliou também a influência política de pastores e parlamentares ligados ao segmento. Muitos desses líderes adotaram posicionamentos críticos ao PT, impactando a formação de opinião entre fiéis.
Nos mandatos mais recentes, Lula tem buscado reduzir essa distância. O presidente já declarou publicamente que “os evangélicos não são contra nós; nós é que não sabemos dialogar”, reconhecendo falhas de comunicação.
O governo também tem investido em agendas voltadas para liberdade religiosa, participação em eventos cristãos e diálogo com lideranças evangélicas moderadas. Além disso, aliados políticos defendem uma estratégia de aproximação baseada em temas sociais como combate à pobreza, emprego e políticas públicas que também dialogam com valores cristãos.
A relação entre Lula e o eleitorado evangélico é vista como um dos principais desafios políticos para o campo progressista no Brasil. Considerando o tamanho e a crescente influência desse segmento, qualquer projeto eleitoral nacional precisa levar em conta sua relevância.
Ao mesmo tempo, o eleitorado evangélico não é homogêneo. Há diferenças regionais, geracionais e socioeconômicas dentro do grupo, o que abre espaço para disputas políticas e mudanças ao longo do tempo.
Em resumo, a dificuldade de Lula em se aproximar dos evangélicos envolve fatores ideológicos, comunicacionais e históricos. O cenário segue em transformação, especialmente diante das próximas eleições, quando o peso desse segmento voltará ao centro do debate político nacional.
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