Celular logado no portal do Enem. Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
O Enem 2025 entrou no centro de uma discussão intensa depois que estudantes passaram a apontar possíveis semelhanças entre questões da prova e conteúdos divulgados por um mentor educacional na internet.
Os participantes realizaram o exame nos últimos dois domingos, quando responderam itens de exatas, humanas, linguagens e redigiram a redação. Logo após o segundo dia, as denúncias se espalharam pelas redes sociais e chamaram a atenção de milhares de pessoas que acompanham o processo do exame.
Os estudantes passaram a afirmar que um homem que se apresenta como estudante de medicina e mentor teria divulgado antecipadamente questões muito próximas das aplicadas pelo Inep.
Os prints da live e trechos da transmissão publicada em 11 de novembro circularam amplamente e reforçaram a suspeita de que havia conteúdos praticamente idênticos aos da prova oficial.
Vários participantes observaram que as imagens mostravam enunciados semelhantes e, em alguns casos, números iguais aos usados nos itens aplicados nos cadernos. A discussão ganhou força à medida que mais pessoas passaram a analisar os registros da live no YouTube.
O mentor, identificado como Edcley Teixeira, afirmou durante a transmissão que não recebeu nenhum material sigiloso. Ele explicou que desenvolveu essa percepção das questões após estudar o formato do exame por anos. Além disso, disse ter criado um algoritmo que, segundo ele, permitia prever o estilo e a estrutura dos itens.
A situação mudou quando estudantes encontraram, nos materiais de estudo disponibilizados por ele, outra explicação. O mentor relatava que participou do pré-teste do Enem, etapa em que o Inep avalia itens que podem compor futuras edições da prova. Ele dizia que memorizou dezenas de questões inéditas e usava esse conhecimento para criar novas perguntas.
Nos textos que acompanham seus materiais, o autor defendia que usar a própria memória não configuraria crime, já que os exercícios produzidos para seus cursos seriam originais. Ele também afirmava que ninguém poderia impedir alguém de lembrar do que viu em uma prova experimental.
Nas redes sociais, vários estudantes afirmam que as questões exibidas na live ultrapassam o nível de mera inspiração. Para eles, as semelhanças apontariam o uso direto de itens que deveriam permanecer restritos ao Banco Nacional de Itens, mantido pelo Inep.
Esse cenário gerou insegurança entre alunos, que passaram a temer uma possível anulação ou revisão da prova. Até agora, nenhum órgão público confirmou medidas relacionadas ao caso, o que mantém a situação indefinida e amplia a curiosidade sobre o que poderá ocorrer.
A forma como o Enem organiza e seleciona suas questões ajuda a entender a sensibilidade desse tipo de suspeita. O Banco Nacional de Itens reúne perguntas elaboradas por colaboradores credenciados e passa por avaliações técnicas, pedagógicas e estatísticas.
Antes de chegar ao exame, muitas delas passam pelo pré-teste, que aplica os itens a um grupo restrito de estudantes com perfil próximo ao do público geral. Essa etapa permite que o Inep avalie dificuldade, desempenho e outros fatores que garantem equilíbrio ao exame.
Nos últimos anos, o pré-teste passou a ocorrer no formato do Prêmio Capes Talento Universitário. Nesse concurso, estudantes com bom desempenho em edições anteriores do Enem recebem convites para resolver itens inéditos.
Os melhores colocados recebem premiações que chegam a cinco mil reais. Os itens testados podem ou não ser utilizados futuramente, mas permanecem sob sigilo.
O tema também envolve outra questão: a falta de clareza sobre o uso da memória de participantes do pré-teste. O Inep não se manifestou sobre esse ponto, o que mantém dúvidas sobre a regularidade da prática relatada pelo mentor.
Um antecedente mantém a atenção dos participantes. Em 2013, um professor do Ceará recebeu condenação por repassar questões que apareceram no pré-teste e, posteriormente, no Enem. Os itens foram anulados apenas para candidatos da sua região, o que fez o episódio ganhar repercussão nacional.
Enquanto MEC e Inep não se posicionam sobre as denúncias, estudantes seguem atentos ao desdobramento do caso e aguardam esclarecimentos sobre a possível relação entre o conteúdo da live e as questões aplicadas no Enem 2025.
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