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Data Favela: 58% de envolvidos no tráfico sairiam do crime caso tivessem renda, aponta pesquisa

O levantamento foi realizado no período entre 15 de agosto de 2025 e 20 de setembro de 2025, em favelas de 23 estados.

Ricardo Lélis

17 de novembro de 2025 às 19:14   - Atualizado às 19:14

Preso em operação no Rio de Janeiro.

Preso em operação no Rio de Janeiro. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Entre quase 4 mil pessoas envolvidas com o tráfico de drogas entrevistadas em uma pesquisa do Instituto Data Favela divulgada nesta segunda-feira, 17 de novembro, a maioria (58%) gostaria de deixar voluntariamente essa condição caso pudesse garantir o sustento econômico e a estabilidade pessoal.

Em contrapartida, ao responderem a pergunta "Se você tivesse uma oportunidade de deixar o que faz hoje no crime, você sairia?ˮ, outros 31% disseram que não sairiam desta situação.

Esses dados fazem parte da pesquisa Raio-X da Vida Real, realizada pelo instituto, que é ligado à Central Única das Favelas (CUFA), no período entre 15 de agosto de 2025 e 20 de setembro de 2025, em favelas de 23 estados.

Ter condições de abrir o próprio negócio seria o atrativo necessário para deixar o crime na avaliação de 22% dos entrevistados, enquanto 20% apontam um trabalho com carteira assinada.

Apesar de a maioria dos entrevistados em nível nacional responder que sairia do crime, a análise por estado traz algumas situações diferentes. No Ceará, 44% não deixariam o crime se pudessem, enquanto 41% sairiam. 

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No Distrito Federal, a diferença é ainda maior: apenas 7% disseram sairiam, enquanto 77% permaneceriam. Em Minas, foram 40% dizendo que deixariam a situação, e 57%, que não.

Conforme a pesquisa, a remuneração é o principal motivo para a permanência no crime. 63% dos entrevistados declararam que recebem até dois salários-mínimos (R$ 3.040) mensais na atividade criminal, sendo que a renda média mensal é de R$ 3.536,00. Para 18%, não sobra dinheiro no fim do mês.

“A maior parte deles está colocada nas faixas mais baixas de renda, e isso puxa a média para baixo", apontou diretor técnico do Instituto Data Favela e cientista político, Geraldo Tadeu Monteiro, durante entrevista de divulgação da pesquisa transmitida no canal da CUFA no Youtube.

"Com mais dinheiro, se revela uma grande armadilha, porque, na verdade, o custo-benefício de entrar no crime acaba sendo muito pequeno, uma vez que as pessoas acabam recebendo pouco entrando em uma vida de muito risco e dificuldades”.

Agência Brasil

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