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Esquecidas: mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos vivem em união conjugal no Brasil, aponta IBGE

Entre as 34 mil crianças registradas, 77% são meninas, mostrando uma clara desigualdade de gênero.

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01 de dezembro de 2025 às 18:27   - Atualizado às 18:45

Mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos vivem em união conjugal no Brasil

Mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos vivem em união conjugal no Brasil Arquivo/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que mais de 34 mil crianças em união conjugal vivem atualmente no Brasil, sendo a grande maioria meninas. Essas uniões incluem casamentos formais, religiosos e consensuais, e estão presentes em mais de 2 mil municípios do país.

Perfil das crianças em união conjugal

Entre as 34 mil crianças registradas, 77% são meninas, mostrando uma clara desigualdade de gênero. A distribuição geográfica também revela concentrações significativas em grandes centros urbanos. A cidade de São Paulo lidera com 1,3 mil casos, seguida pelo Rio de Janeiro (809), Manaus (608), Fortaleza (513) e Salvador (299).

Os tipos de união registradas pelo IBGE incluem:

  • Casamento civil e religioso: 7%
  • Apenas civil: 4,9%
  • Apenas religioso: 1,5%
  • União consensual sem formalização: 87%

Vale destacar que essas uniões, em grande parte, são informais e não possuem validade legal, pois a legislação brasileira proíbe o casamento civil de menores de 16 anos, salvo autorização judicial em casos excepcionais.

Riscos e impactos das uniões precoces

Especialistas alertam que crianças em união conjugal estão mais expostas a riscos físicos, emocionais e sociais. O casamento ou convivência precoce pode limitar o acesso à educação, aumentar vulnerabilidades à violência e afetar o desenvolvimento emocional, principalmente para meninas.

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Além disso, a prática reforça desigualdades sociais e de gênero, já que a maior parte das menores em união conjugal está em situações de vulnerabilidade socioeconômica.

O papel das políticas públicas

O IBGE esclarece que o Censo não verifica a legalidade das uniões, coletando apenas informações verbais dos moradores. Por isso, especialistas defendem programas de proteção à infância, educação sexual e campanhas de conscientização, visando reduzir esses números e proteger crianças e adolescentes.

O levantamento evidencia que o Brasil ainda enfrenta desafios significativos em relação à proteção dos direitos das crianças e à promoção da igualdade de gênero, mostrando a importância de ações integradas entre governos e sociedade.

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