Correios Foto: Reprodução/Internet
Os Correios anularam a venda de uma propriedade avaliada em R$ 280 milhões, localizada em Brasília (DF), após o recebimento de um cheque sem fundos como forma de pagamento. A informação foi divulgada pelo Estadão.
Segundo a reportagem, o terreno havia sido arrematado pela ONG CPM Intercab, única participante da licitação. O espaço abrigava uma antiga escola de gestão e um clube voltado a funcionários da estatal.
A entidade, sediada em Taguatinga (DF), é dirigida por Jorge Luiz Almeida da Silveira, líder religioso do candomblé conhecido como pai Jorge de Oxossi.
Em nota, os Correios informaram que uma nova licitação será realizada. Já o pai de santo afirmou que não tinha conhecimento das irregularidades e que ainda tem interesse em adquirir o imóvel.
A pressão por eficiência no setor de logística e entregas nunca foi tão intensa. A lógica é simples: quem transporta mais rápido e mais barato conquista o consumidor. Nas regiões mais rentáveis do país, essa empresa raramente é os Correios.
Com um histórico de má gestão e lentidão para inovar, a estatal enfrenta seu pior momento em décadas. No primeiro semestre de 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 4,4 bilhões, quase o dobro do resultado negativo de todo o ano de 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões.
O rombo chama atenção porque ocorre em meio a um mercado em plena transformação, no qual empresas privadas como Mercado Livre, Amazon Logistics e transportadoras regionais têm dominado a logística de e-commerce no país.
Segundo dados do governo, os Correios respondem pela maior parte do déficit de R$ 18,5 bilhões registrado pelas estatais federais desde o início do terceiro mandato do presidente Lula número que não inclui Petrobras e bancos públicos.
A situação reacende o debate sobre o papel das empresas estatais e a falta de eficiência administrativa sob controle político.
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