"Neoconservadores em conserva": escola que homenageou Lula tinha ala com sátira a evangélicos Foto: Reprodução / TV Globo
A Acadêmicos de Niterói levou para a avenida, na noite de domingo, 15 de fevereiro, o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Durante o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a escola apresentou a ala “Neoconservadores em conserva”, que acabou chamando atenção pela sátira a grupos evangélicos.
De acordo com o texto oficial divulgado pela escola, a ala foi construída para retratar segmentos que, na visão do enredo, compõem um bloco conservador no cenário político nacional. As fantasias, em formato de lata de conserva, faziam referência simbólica à ideia de “conservadorismo”.
Na parte superior das alegorias, quatro personagens identificavam os grupos citados: representantes do agronegócio, simbolizados por um fazendeiro; uma mulher de classe alta, descrita como “perua”; defensores da Ditadura Militar; e grupos religiosos evangélicos.
No material oficial, a Acadêmicos de Niterói afirma que utilizou o humor como ferramenta narrativa, recurso tradicional do carnaval para abordar temas sociais e políticos contemporâneos. Após a apresentação, imagens e vídeos da ala circularam nas redes sociais e geraram reações diversas, com manifestações favoráveis e críticas à abordagem adotada.
O humor segue em voga para caracterizar os chamados “neoconservadores”. Um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele, como privatizações e o fim da escala de trabalho 6x1.
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O movimento em ascensão no Brasil passou a se associar, dentro do campo político, aos seguidores da extrema direita. A fantasia traz uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos. Na cabeça dos componentes, há uma variação de elementos para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo. São eles: os representantes do agronegócio (na figura de um fazendeiro), uma mulher de classe alta (perua), os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos. No Congresso Nacional, formam um bloco conservador que defende pautas como flexibilização do porte de armas, exaltação às Forças Armadas, interesses do agronegócio e dos valores tradicionais da família.
Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a Acadêmicos de Niterói chamou atenção antes mesmo de entrar na Marquês de Sapucaí. O tema escolhido gerou questionamentos na Justiça e colocou a agremiação sob análise do Ministério Público, ampliando o debate em torno da homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A repercussão começou ainda na fase de preparação do desfile, quando o anúncio do enredo provocou reações de críticos que apontaram possível uso político da apresentação. A escola, por sua vez, sustentou que a proposta integra a tradição do carnaval de retratar personalidades e acontecimentos históricos por meio da arte e da crítica social.
Além da ala "Neoconservadores em Conserva", outras alas também deram o que falar, como a "Estrela Vermelha", uma referência clara ao Partido dos Trabalhadores, e a "Patriotas da América", onde são utilizados variados ícones da cultura estadunidense para ironizar o alinhamento político dos apoiadores do Bolsonaro com os Estados Unidos.
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Com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", a escola levou para a Marquês de Sapucaí uma homenagem direta ao presidente.
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