Justiça manda assegurar a preservação das informações técnicas das contas para que seja possível identificar seus responsáveis e processo vai entrar em segredo de justiça para não dificultar as investigações.
06 de agosto de 2026 às 06:57
PSD obtém vitória e justiça aciona Ministério Público contra o gabinete do ódio montado para atacar Raquel Lyra Imagem: Arte/Portal de Prefeitura
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a preservação dos registros técnicos de perfis em redes sociais investigados por uma suposta atuação coordenada de disseminação de conteúdos ofensivos durante o processo eleitoral de 2026. A decisão foi proferida na quarta-feira, 5 de agosto, pelo vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Erik de Sousa Dantas Simões, no âmbito de uma ação apresentada pelo PSD.
Segundo o partido, os perfis investigados teriam atuado de forma organizada para divulgar publicações favoráveis ao candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), e, ao mesmo tempo, promover ataques contra a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD).
O objetivo da medida judicial é assegurar a preservação das informações técnicas das contas para que seja possível identificar seus responsáveis e verificar eventual existência de uma estrutura organizada de produção e disseminação de conteúdo ofensivo ou difamatório.
A decisão ainda determinou o encaminhamento do caso à Procuradoria Regional Eleitoral para adoção das providências cabíveis.
Na decisão, o corregedor eleitoral destaca que os elementos apresentados pelo PSD indicam um padrão considerado atípico na criação e utilização dos perfis.
De acordo com o magistrado, dezenas de contas apresentam nomenclaturas semelhantes, organizadas em séries, o que pode indicar uma estratégia coordenada de comunicação.
Um dos trechos da decisão afirma que uma das famílias de perfis reúne ao menos sete contas utilizando o termo "ordinário", alterando apenas o município ou algum complemento na identificação. Outro conjunto seria formado por pelo menos oito perfis com variações da expressão "tô com João" ou "com João Campos", cada um associado a municípios diferentes do interior pernambucano.
Para o corregedor, esse modelo de criação em série foge ao padrão esperado de manifestações espontâneas e individuais nas redes sociais, justificando a necessidade de aprofundamento da investigação.
Outro ponto destacado pela decisão envolve a suposta utilização indevida dos dados pessoais de uma auxiliar de serviços gerais residente no município de Chã de Alegria, na Mata Norte de Pernambuco.
Segundo o processo, as informações da trabalhadora teriam sido utilizadas na criação do perfil @joaocampos_platinado, responsável por publicações com ataques à governadora Raquel Lyra.
Diante da gravidade da suspeita, o TRE-PE determinou que a Procuradoria Regional Eleitoral apure eventual prática de uso irregular de identidade ou de dados pessoais para operação da conta.
A decisão também menciona especificamente os perfis @timejoaocampos e @pecomjoaocampos.
Conforme o documento judicial, ambos estariam vinculados a pessoas domiciliadas no município de Cataguases, em Minas Gerais.
Para o corregedor, a coincidência de administradores localizados em uma cidade sem relação aparente com a disputa eleitoral pernambucana representa uma circunstância que merece investigação.
Na decisão, o magistrado afirma que apenas a análise dos registros técnicos das plataformas poderá esclarecer se existe conexão entre os responsáveis pelas contas e eventual atuação coordenada.
O processo, registrado sob o número 0600708-13.2026.6.17.0000, passará a tramitar em segredo de justiça.
Segundo o TRE-PE, a medida busca preservar a eficácia das diligências e evitar que a publicidade dos atos comprometa o andamento das investigações ou a coleta de provas.
A preservação dos registros eletrônicos permitirá que as plataformas mantenham disponíveis informações como endereços de IP, dados cadastrais, horários de acesso e demais elementos técnicos que poderão auxiliar a identificação dos responsáveis pelas contas investigadas.
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral tem natureza investigativa e não representa conclusão sobre eventual responsabilidade civil, eleitoral ou criminal dos perfis citados ou de quaisquer pessoas mencionadas na ação.
A apuração seguirá sob condução da Justiça Eleitoral e da Procuradoria Regional Eleitoral, que poderão solicitar novas diligências, perícias e informações às plataformas digitais antes de eventual oferecimento de medidas judiciais.
Até o momento, a decisão determina apenas a preservação dos dados técnicos, o aprofundamento das investigações e a apuração das circunstâncias envolvendo os perfis apontados pelo PSD, cabendo às autoridades competentes verificar se houve atuação coordenada, uso irregular de dados pessoais ou outras infrações previstas na legislação eleitoral e penal.
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