Simone Marques era professora na Faculdade Novo Horizonte, instituição citada na investigação do Ministério Público de Pernambuco, em inquérito que apura o suposto envolvimento da faculdade no desvio de recursos públicos.
Testemunha de caso de desvios na Câmara de Ipojuca foi assassinada após comparecer à delegacia. Foto: Divulgação
A professora universitária Simone Marques da Silva, de 46 anos, foi assassinada a tiros na tarde do dia 28 de outubro, em Ipojuca, no Grande Recife, poucas horas depois de comparecer à delegacia para tratar de um inquérito que investiga desvios de verbas de emendas parlamentares na Câmara Municipal.
Simone dava aulas na Faculdade Novo Horizonte, instituição citada na investigação do Ministério Público de Pernambuco. A polícia analisa se o homicídio tem alguma relação com o inquérito que apura o suposto envolvimento da faculdade no desvio de recursos públicos.
De acordo com informações do g1, Simone chegou à Delegacia de Porto de Galinhas por volta de 12h40, acompanhada de um advogado. Ela não prestou depoimento porque a equipe policial estava envolvida em outro procedimento. A professora recebeu uma certidão de comparecimento e remarcou o depoimento para o dia seguinte. Cerca de uma hora depois, deixou o prédio e seguiu com o advogado até o escritório dele, onde permaneceu por alguns minutos antes de voltar sozinha para casa.
Por volta das 15h55, moradores da Rua Ana Maria Dourado, no Centro de Ipojuca, ouviram disparos e acionaram a Polícia Militar. Quando as equipes chegaram, encontraram Simone morta no quintal da casa onde vivia com os pais. A Polícia Civil abriu inquérito para identificar os autores e esclarecer se o crime tem ligação com o processo investigativo.
O homicídio ocorreu em um momento de forte pressão sobre a Câmara Municipal de Ipojuca. Na manhã desta quarta (19), a Polícia Civil e o GAECO, do Ministério Público de Pernambuco, realizaram a 75ª Operação de Repressão Qualificada do ano, batizada de “Alvitre II”. A ação deu sequência a investigações sobre o desvio milionário de emendas parlamentares e resultou na prisão de dois vereadores.
Um dia antes da operação, na terça-feira (18), os vereadores Flávio do Cartório (PSD) e Professor Eduardo (PSD), presidente e primeiro vice-presidente da Câmara Municipal, foram presos em um supermercado de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Eles carregavam uma quantia elevada de dinheiro em espécie. A prisão, segundo os investigadores, ocorreu após monitoramento contínuo desde a primeira fase da Operação Alvitre.
As equipes levaram os parlamentares à Central de Plantões da Capital, no bairro de Campo Grande, para prestar depoimento. Ao chegarem ao local, os dois cobriram os rostos com as camisas enquanto caminhavam pela área externa da delegacia.
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