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Prefeito é condenado por associar chefe do gabinete de Lula ao PCC

Na ocasião, o então candidato citou o nome "Marcola" ao comentar supostos envios irregulares de recursos federais.

Redação

26 de dezembro de 2025 às 08:12   - Atualizado às 08:12

Prefeito de Diadema, Taka Yamauchi.

Prefeito de Diadema, Taka Yamauchi. Foto: Divulgação

A Justiça Eleitoral de São Paulo condenou o prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), pelos crimes de difamação e injúria eleitoral contra Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão estabelece pena de seis meses e 25 dias de prisão, a ser cumprida em regime aberto, com possibilidade de recurso.

A sentença foi proferida pela 258ª Zona Eleitoral de São Paulo, sob responsabilidade da juíza Clarissa Rodrigues Alves, e tem como base declarações feitas por Yamauchi durante um debate eleitoral realizado em agosto de 2024, quando ele ainda disputava o comando do município do ABC Paulista.

Na ocasião, o então candidato citou o nome “Marcola” ao comentar supostos envios irregulares de recursos federais para Diadema. A crítica tinha como alvo político o ex-prefeito José de Filippi Júnior (PT), seu adversário direto na disputa eleitoral. No entanto, a fala acabou atingindo indiretamente Marco Aurélio Santana Ribeiro, que é conhecido nos bastidores políticos pelo apelido “Marcola”.

De acordo com a magistrada, o contexto e a forma como a declaração foi feita ultrapassaram os limites do debate político permitido em período eleitoral. A juíza avaliou que o uso do apelido “Marcola” não ocorreu de maneira neutra ou casual, já que o nome é amplamente associado ao líder de uma facção criminosa de atuação nacional.

Na decisão, Clarissa Rodrigues Alves destacou que a fala teve potencial claro de atingir a honra e a dignidade da vítima. Para a magistrada, não houve necessidade de interpretação complexa para compreender o sentido ofensivo da declaração no contexto do debate.

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Segundo o entendimento da Justiça Eleitoral, ao associar o nome “Marcola” a supostas irregularidades no repasse de verbas federais, o prefeito de Diadema criou uma ligação indireta entre o chefe de gabinete do presidente da República e práticas ilegais. Essa associação, de acordo com a sentença, teve o objetivo de enfraquecer politicamente o adversário por meio de ataque à reputação de terceiros.

A denúncia contra Yamauchi foi apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) em junho deste ano, após análise das declarações feitas durante o debate. O órgão considerou que a fala configurou crime eleitoral ao extrapolar a crítica política e atingir diretamente a honra de uma pessoa identificável.

Durante o processo, a defesa do prefeito sustentou que não houve intenção de ofensa. Os advogados argumentaram que Yamauchi não conhecia pessoalmente Marco Aurélio Santana Ribeiro e que apenas mencionou informações que, segundo eles, já teriam circulado na imprensa. A defesa também tentou caracterizar a fala como parte do embate político típico de campanhas eleitorais.

A Justiça, no entanto, rejeitou essa linha de argumentação. Para a magistrada, o desconhecimento pessoal da vítima não afasta a responsabilidade penal quando a fala pública atinge a honra de alguém de forma objetiva. A decisão também apontou que o alcance de um debate eleitoral amplia o impacto das declarações, o que exige maior cuidado por parte dos candidatos.

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