Operação Ponto Cego apura suspeita de uso de pontos eletrônicos para transmitir respostas a candidatos durante a aplicação das provas.
04 de novembro de 2026 às 10:36 - Atualizado às 11:16
Polícia Federal investiga fraude em concurso da UFAPE e cumpre 21 mandados em Pernambuco. Foto: Divulgação/Polícia Federal
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, 4 de novembro, a Operação Ponto Cego para investigar uma possível fraude em um concurso público realizado pela Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE). A ação resultou no cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão em oito municípios pernambucanos.
As diligências foram realizadas no Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Nazaré da Mata, Buenos Aires, Garanhuns, Caruaru e Brejo da Madre de Deus. Durante a operação, os agentes apreenderam celulares, computadores, mídias e documentos, além de veículos e outros bens de valor que, segundo a investigação, podem ter sido adquiridos com recursos provenientes do esquema criminoso.
A apuração busca esclarecer como funcionava a suposta fraude e identificar a participação de cada investigado. Entre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal está a utilização de dispositivos eletrônicos para transmitir respostas aos candidatos durante a realização das provas.
De acordo com as informações da Polícia Federal, há indícios de que o grupo investigado utilizava pontos eletrônicos para repassar respostas aos participantes do concurso público. O mecanismo teria permitido que candidatos recebessem informações durante a aplicação das avaliações.
A investigação procura individualizar a conduta dos suspeitos, identificando as funções que cada um teria desempenhado na organização criminosa. A análise também deverá contribuir para compreender a dimensão do esquema e a possível participação de outras pessoas.
Os materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados serão submetidos a exames e análises pelos investigadores. A expectativa é que os dispositivos eletrônicos, documentos e demais objetos apreendidos forneçam elementos para esclarecer as circunstâncias da fraude e reunir provas sobre o funcionamento do grupo.
A Operação Ponto Cego é conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), vinculada à Superintendência Regional da Polícia Federal em Pernambuco.
Conforme a investigação, os envolvidos poderão responder por fraude em certames de interesse público, prevista no artigo 311-A do Código Penal; organização criminosa, conforme o artigo 2º da Lei nº 12.850/2013; associação criminosa, tipificada no artigo 288 do Código Penal; falsidade ideológica, prevista no artigo 299; e falsificação de documento.
A Polícia Federal também não descarta a identificação de outros delitos durante o aprofundamento das apurações. A definição das responsabilidades dependerá dos elementos reunidos ao longo da investigação e da análise individualizada da conduta de cada suspeito.
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