Pastor Téo Hayashi vê hipocrisia em decreto de Lula Foto Montagem/Portal de Prefeitura
A decisão do governo federal de reconhecer a música gospel como patrimônio cultural brasileiro, oficializada na última terça-feira (23) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerou forte repercussão entre lideranças religiosas. Um dos posicionamentos mais contundentes veio do pastor Téo Hayashi, que classificou a iniciativa como uma estratégia política e alertou fiéis sobre o que considera uma tentativa de instrumentalização da fé cristã.
A cerimônia promovida pelo governo contou com a presença da primeira-dama Janja, além de ministros e lideranças políticas como Gleisi Hoffmann, Jorge Messias e o presidente da Câmara, Hugo Motta, além de artistas do segmento gospel, entre eles o cantor Kleber Lucas. Para críticos, o evento simboliza um gesto calculado de aproximação com o eleitorado evangélico, segmento no qual Lula enfrenta altos índices de rejeição e que será decisivo nas eleições presidenciais de 2026.
Em declaração que circulou amplamente nas redes sociais, Téo Hayashi afirmou que a música gospel nasce do evangelho e não necessita de reconhecimento estatal para ser legítima. Segundo ele, a fé cristã não é um produto cultural que depende de validação política.
“O evangelho nunca precisou do governo para existir. A fé cristã é uma verdade espiritual que, ao longo da história, muitas vezes confrontou o próprio poder político”, disse.
O pastor também citou passagens bíblicas para reforçar seu argumento, lembrando que Jesus declarou que seu reino “não é deste mundo”, o que, segundo ele, demonstra que a fé não se sustenta em estruturas estatais ou aprovação institucional.
Hayashi destacou o que considera uma contradição no gesto do governo. Para ele, o mesmo campo político que agora acena ao público evangélico é aquele que, historicamente, relativizou valores centrais da cosmovisão cristã, como família, defesa da vida, autoridade das Escrituras e a noção de verdade absoluta.
“Isso não é conversão. Isso é estratégia política. Cristão de verdade não se move por gestos simbólicos, mas por valores”, afirmou.
O pastor também criticou o que chamou de “estética religiosa sem arrependimento”, alertando que louvor sem coerência entre fé e prática se transforma apenas em performance.
A declaração reacendeu o debate sobre os limites entre Estado e religião e sobre o uso simbólico da fé no cenário político. Para apoiadores do governo, o reconhecimento valoriza uma manifestação cultural relevante para milhões de brasileiros. Já críticos veem o gesto como uma tentativa de suavizar resistências no eleitorado evangélico às vésperas de um novo ciclo eleitoral.
A polêmica evidencia que, mesmo com decretos e cerimônias oficiais, a relação entre política e fé continua sendo um terreno sensível e profundamente dividido no Brasil.
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