Pernambuco, 13 de Fevereiro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Lula veta mudança na Lei da Ficha Limpa que reduzia contagem do prazo de inelegibilidade

O projeto estabelecia que o prazo de oito anos passaria a contar a partir da data da cassação do mandato e não após o término dele.

Redação

30 de setembro de 2025 às 10:05   - Atualizado às 10:05

Presidente Lula.

Presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Nesta terça-feira, 30 de setembro, o Governo Federal publicou no Diário Oficial da União a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de vetar trechos centrais do projeto aprovado pelo Congresso Nacional que alterava pontos da Lei da Ficha Limpa. A proposta, que vinha sendo discutida há mais de um ano, pretendia mudar a forma de contagem do prazo de inelegibilidade, o período em que políticos condenados ou cassados ficam impedidos de disputar eleições.

O projeto, aprovado no início de setembro por ampla maioria no Senado, estabelecia que o prazo de oito anos de inelegibilidade passaria a contar a partir da data da cassação do mandato e não após o término dele, como prevê a regra atual. Essa mudança reduziria, na prática, o tempo de afastamento de políticos da vida pública. No entanto, Lula decidiu vetar a alteração por considerar que a proposta poderia gerar insegurança jurídica e ferir princípios de isonomia, já que também previa aplicação retroativa para casos já julgados.

Os dispositivos vetados incluíam artigos que permitiriam a revisão de condenações passadas e em andamento, o que poderia beneficiar políticos já condenados e com prazos de inelegibilidade em curso. A justificativa do governo aponta que a retroatividade afrontaria decisões já consolidadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de comprometer a estabilidade das regras eleitorais.

A discussão sobre a Ficha Limpa voltou à pauta política com força neste ano, pois o texto poderia impactar nomes influentes da política nacional, como os ex-governadores José Roberto Arruda (PL), do Distrito Federal, e Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro, além do ex-deputado Eduardo Cunha. O caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no entanto, não seria afetado, já que sua inelegibilidade até 2030 decorre de decisão por abuso de poder político que segue os parâmetros atuais.

O veto presidencial ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional, que terá a prerrogativa de manter ou derrubar a decisão. Caso os parlamentares optem por derrubar o veto, o projeto passará a valer. No Senado, a aprovação contou com 50 votos favoráveis e 24 contrários. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), chegou a deixar a condução da sessão para registrar seu apoio à medida, alegando que a inelegibilidade não pode ultrapassar os oito anos definidos em lei.

Veja Também

Entre os pontos do projeto estava também a tentativa de unificar os prazos de inelegibilidade para evitar acúmulo de penalidades. A ideia era estabelecer um teto de até 12 anos, mesmo que houvesse mais de uma condenação. Esse ponto buscava uniformizar o entendimento da Justiça Eleitoral e evitar punições desproporcionais em casos de múltiplas condenações.

Apesar da polêmica, outras situações permaneceriam inalteradas. A lei atual continua determinando que quem for condenado por crimes graves, como corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, crimes hediondos, racismo, terrorismo, exploração de trabalho análogo à escravidão e violência sexual, segue impedido de se candidatar desde a condenação até oito anos após cumprir toda a pena.

Agora, a expectativa recai sobre o Congresso, que decidirá se mantém a posição do presidente ou se retoma a redação original aprovada pelos parlamentares. Até lá, permanece em vigor a regra atual, que impede candidatos cassados de disputar eleições por até 11 anos, considerando o tempo restante de mandato somado aos oito anos de inelegibilidade.

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

00:43, 13 Fev

Imagem Clima

24

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Senador Flávio Bolsonaro.
Posição

Flávio Bolsonaro afirma que, se eleito, manterá Bolsa Família "enquanto as pessoas precisarem"

Por que, em vez de você ficar vendendo, se aproveitando da miséria das pessoas, você não usa para qualificar essas pessoas?", questionou o senador.

Vereadora do PSOL, Jô Cavalcanti, alvo de ataques e prefeito do Recife, João Campos.
Vídeo

Vereadora do PSOL sofre ataques nas redes sociais após assinar CPI para investigar João Campos

A psolista justificou, na terça (10), o voto favorável à CPI que vai investigar possíveis irregularidades no concurso público para Procurador-Geral do município.

Faixada da Petrobras
Petroquímica

Petrobras abre mão de controlar Braskem e mantém participação minoritária

A companhia foi criada em agosto de 2002 pela integração de seis empresas da Organização Odebrechte do Grupo Mariani.

mais notícias

+

Newsletter