Raquel Lyra e João Campos com Lula no Carnaval Foto: Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode adiar uma eventual visita a Pernambuco durante o início da campanha eleitoral. A estratégia, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo nesta terça-feira (25), seria evitar desgastes em estados onde diferentes candidatos buscam associar suas campanhas ao presidente.
Pernambuco aparece entre os estados considerados mais delicados para Lula neste momento, ao lado de Paraíba e Maranhão. A avaliação é de que a presença física do presidente poderia ampliar disputas entre grupos políticos que, apesar das diferenças locais, mantêm algum nível de aproximação com o Palácio do Planalto.
A possibilidade de o Lula em Pernambuco não participar presencialmente da largada da campanha ocorre em um cenário de forte disputa pelo Governo do Estado. De um lado está o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que recebeu apoio explícito do presidente. Do outro, a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, mantém uma relação institucional próxima com o governo federal e evita assumir uma posição formal na disputa presidencial.
A situação pernambucana ganhou novos contornos depois que Lula declarou apoio a João Campos. Em junho, o presidente gravou um vídeo afirmando que apoiaria o socialista na disputa pelo Governo de Pernambuco. Desde então, João passou a utilizar a proximidade com Lula como um dos principais elementos de sua estratégia eleitoral.
A estratégia do candidato do PSB é diferente da adotada por Raquel Lyra. Enquanto João Campos procura nacionalizar a eleição e apresentar a aliança com Lula como um diferencial político, a governadora tem defendido uma campanha concentrada nos problemas e interesses de Pernambuco.
Em entrevistas recentes ao O Globo, os dois candidatos reforçaram essa diferença de posicionamento. Raquel manteve o discurso de independência em relação à disputa presidencial, enquanto João destacou a aliança com Lula.
Mesmo após declarar apoio a João, Lula continua mantendo uma relação institucional com Raquel. A governadora já afirmou que pretende ampliar parcerias com o governo federal caso seja reeleita, sinalizando que a disputa estadual não deve necessariamente representar um rompimento administrativo com Brasília.
A ausência de uma agenda presencial de Lula em Pernambuco não significa, necessariamente, afastamento da campanha de João Campos. O presidente já participou de gravações relacionadas à candidatura do socialista e reforçou publicamente seu apoio.
Segundo informações divulgadas anteriormente, Lula gravou material eleitoral ao lado de João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes. O conteúdo deveria ser utilizado no horário eleitoral a partir do fim de agosto. Até então, entretanto, uma visita do presidente ao Estado permanecia sem confirmação.
João Campos também já havia afirmado que esperava contar com a presença de Lula em Pernambuco durante a campanha. A expectativa do candidato é transformar a proximidade com o presidente em um ativo eleitoral, especialmente em um estado onde Lula mantém forte presença política.
A decisão de Lula sobre quando visitar Pernambuco ocorre em meio a uma disputa que ganhou intensidade nas últimas semanas. Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostrou Raquel Lyra com 47% das intenções de voto, contra 40% de João Campos. Considerando apenas os votos válidos, a governadora teria 52%, enquanto o socialista chegaria a 44%.
O levantamento também apontou diferenças importantes de comportamento conforme a identificação política dos eleitores. João Campos apresenta vantagem entre eleitores petistas, enquanto Raquel lidera entre eleitores bolsonaristas e também aparece à frente entre os chamados eleitores neutros.
Esse cenário ajuda a explicar a cautela em torno de uma eventual agenda presidencial. Uma visita de Lula ao Estado poderia fortalecer diretamente João Campos, mas também elevar a temperatura da relação com Raquel e com setores que mantêm diálogo com o presidente.
Para o núcleo político de Lula, preservar a unidade do eleitorado nordestino é estratégico para a disputa presidencial. Em 2022, o petista teve desempenho expressivo na região, e Pernambuco foi um dos estados em que registrou ampla vantagem no segundo turno.
Assim, a possibilidade de o Lula em Pernambuco ficar para uma etapa posterior da campanha não representa necessariamente uma mudança na aliança com João Campos. A tendência, neste momento, é de uma atuação mais cuidadosa do presidente, combinando apoio político, participação em materiais eleitorais e agendas presenciais escolhidas de acordo com a evolução da disputa em cada estado.
A definição sobre uma eventual visita a Pernambuco ainda depende do calendário eleitoral e das decisões da coordenação nacional da campanha. Por enquanto, a presença física do presidente no Estado permanece sem data confirmada.
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A adesão fortalece a presença da candidata na região e evidencia sua capacidade de construir alianças para além das fronteiras partidárias.
A estratégia busca aproximar o presidente do eleitorado evangélico, segmento em que Flávio Bolsonaro aparece à frente nas pesquisas.
A pesquisa ouviu 1.067 eleitores entre os dias 16 e 21 de agosto. Além disso, possui margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
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