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JUIZ manda INVESTIGAR OFICIAL de Justiça que tentou INTIMAR MORTO em cemitério; ENTENDA

"Não tem nenhuma decisão para o oficial de justiça intimar ninguém morto em cemitério e que isto não é de praxe no Judiciário", disse o magistrado.

19 de outubro de 2023 às 17:01

O juiz da 1ª Vara Criminal de Gurupi, no interior do Estado do Tocantins, Baldur Rocha Giovannini, determinou que a Corregedoria do Tribunal e a direção do Fórum investiguem o oficial de Justiça Cácio Antônio de Oliveira por ter ido ao cemitério intimar a vítima de um crime de latrocínio (roubo seguido de morte) falecida em abril de 2022. A sentença condenatória dizia: "intime-se pessoalmente a vítima, e caso seja falecida, intime-se o CADE (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão)". Oliveira foi até o cemitério em que Francisco de Assis Sousa está enterrado, na cidade de Dueré, a 55 quilômetros de Gurupi. O oficial chamou a vítima pelo apelido que tinha em vida, "Soviético", e registrou a ocorrência em uma certidão. A intimação da vítima é um procedimento habitual em processos criminais que resultaram em decisão condenatória. Isso porque, dependendo do que for decidido na sentença, a vítima pode ter direito de executar nas varas cíveis uma multa, a ser paga pelo condenado. Nesse caso, ela foi de 100 salários mínimos, o que equivale a R$ 132 mil. Se a vítima estiver morta, quem detiver os direitos sucessórios (filhos, pais, cônjuge) pode cobrar essa multa na Justiça. Leia mais: >>> CNJ intima DESEMBARGADOR que BATEU CARRO DO TJPE em poste e INVADIU DELEGACIA com o veículo O juiz do processo ficou incomodado com a repercussão que a certidão teve e determinou que o oficial de Justiça seja investigado. Na decisão, que é do dia 11 de outubro, Giovannini diz que "não tem nenhuma decisão para o oficial de justiça intimar ninguém morto em cemitério e que isto não é de praxe no Judiciário" e que a divulgação do ato "trouxe claro desconforto para este juízo". O magistrado também afirma que, constatado o óbito da vítima, o oficial deveria "no máximo, ter ido ao cartório e ter pegado segunda via da certidão de óbito e no mínimo intimar o CADE (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão), conforme determinado". O crime aconteceu no dia 29 de abril de 2022 e foi revelado pelo Jornal do Tocantins. Jhonatha Rodrigues Moura e Neylson da Silva Rocha foram acusados de roubar e assassinar Francisco de Assis Souza. De acordo com a denúncia que o Ministério Público apresentou, eles entraram na residência da vítima, que era chamada de "Soviético", e roubaram um celular, uma Honda Biz e R$ 900. Os réus teriam colocado Souza dentro de um carro e levado ele até as margens do Rio Tocantins, na altura da cidade de Brejinho de Nazaré, que fica a 110 quilômetros de Dueré. Lá, eles teriam esfaqueado Soviético no abdômen e jogado o seu corpo no rio. O cadáver foi encontrado no dia 1º de maio por pescadores. Câmeras de segurança registraram todo o crime. Em setembro, já preso, Moura confessou. Ele recebeu uma pena de 21 anos de prisão. Rocha permanece foragido da Justiça. Estadão Conteúdo

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