Lula na tela de um celular Foto: Ricardo Stuckert/PR
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam com cautela os impactos políticos da nova fase do programa de combate ao roubo e furto de celulares. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, auxiliares do Palácio do Planalto demonstraram preocupação com o potencial desgaste eleitoral da medida, que prevê a notificação de usuários que estejam utilizando aparelhos com registro de roubo ou furto.
A iniciativa, desenvolvida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi lançada nesta semana com o objetivo de enfraquecer o mercado ilegal de celulares e reduzir um dos crimes que mais preocupam a população brasileira.
De acordo com O Globo, setores do governo alertaram para a possibilidade de que consumidores que compraram aparelhos sem saber da origem irregular possam responsabilizar o governo pela perda do equipamento, criando um ambiente de insatisfação em pleno período pré-eleitoral.
Ainda segundo a publicação, a proposta passou por semanas de análise dentro do governo federal antes de ser oficialmente apresentada.
Auxiliares ligados à Casa Civil e à Secretaria de Comunicação Social (Secom) teriam levantado dúvidas sobre a repercussão da medida entre os eleitores. Um dos receios seria a interpretação de que o governo estaria "retirando" celulares de cidadãos que acreditavam ter adquirido os aparelhos de forma legítima.
Outro ponto debatido internamente foi a possibilidade de erros no sistema de notificações. A preocupação é que eventuais falhas possam atingir usuários sem qualquer relação com aparelhos roubados, gerando críticas adicionais ao programa.
Apesar das ponderações, Lula decidiu acelerar o lançamento da iniciativa.
O Ministério da Justiça sustenta que a medida pode atingir um dos principais pilares que sustentam o roubo de celulares: a revenda dos aparelhos.
A avaliação da pasta é que, ao aumentar o risco para quem compra dispositivos sem procedência comprovada, o mercado ilegal tende a perder força, reduzindo o incentivo econômico para a prática criminosa.
O governo também argumenta que o programa pode contribuir para conscientizar consumidores sobre a importância de verificar a origem dos aparelhos antes da compra.
Conforme destacou O Globo, a iniciativa nacional foi inspirada em ações desenvolvidas no Piauí, onde o governo estadual implantou um sistema de identificação de aparelhos roubados por meio do número IMEI.
Segundo dados divulgados pelo governador do estado, Rafael Fonteles, a estratégia ajudou a reduzir significativamente os índices de roubo de celulares nos últimos anos.
O Ministério da Justiça afirma que a versão federal incorpora aperfeiçoamentos tecnológicos e procedimentos adicionais para ampliar a precisão das notificações.
A nova fase do programa surge em um momento em que a segurança pública ocupa espaço central no debate político nacional. O roubo de celulares aparece entre as principais preocupações da população em pesquisas sobre violência urbana.
Por outro lado, conforme revelou O Globo, integrantes do governo reconhecem que a medida pode produzir efeitos políticos imprevisíveis, especialmente entre consumidores que se sintam prejudicados pela devolução dos aparelhos.
Enquanto o Planalto aposta no potencial da iniciativa para combater o crime, o sucesso da medida também será observado sob a ótica eleitoral, já que a repercussão junto à população poderá influenciar a percepção sobre uma das principais apostas do governo federal na área de segurança pública.
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