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Governo teme desgaste eleitoral com programa que prevê devolução de celulares roubados

Nova fase da iniciativa do Ministério da Justiça deve notificar usuários de aparelhos com registro de roubo ou furto; medida gera debate dentro do Planalto.

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24 de junho de 2026 às 12:45   - Atualizado às 12:50

Lula na tela de um celular

Lula na tela de um celular Foto: Ricardo Stuckert/PR

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam com cautela os impactos políticos da nova fase do programa de combate ao roubo e furto de celulares. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, auxiliares do Palácio do Planalto demonstraram preocupação com o potencial desgaste eleitoral da medida, que prevê a notificação de usuários que estejam utilizando aparelhos com registro de roubo ou furto.

A iniciativa, desenvolvida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi lançada nesta semana com o objetivo de enfraquecer o mercado ilegal de celulares e reduzir um dos crimes que mais preocupam a população brasileira.

De acordo com O Globo, setores do governo alertaram para a possibilidade de que consumidores que compraram aparelhos sem saber da origem irregular possam responsabilizar o governo pela perda do equipamento, criando um ambiente de insatisfação em pleno período pré-eleitoral.

Planalto discutiu riscos da medida

Ainda segundo a publicação, a proposta passou por semanas de análise dentro do governo federal antes de ser oficialmente apresentada.

Auxiliares ligados à Casa Civil e à Secretaria de Comunicação Social (Secom) teriam levantado dúvidas sobre a repercussão da medida entre os eleitores. Um dos receios seria a interpretação de que o governo estaria "retirando" celulares de cidadãos que acreditavam ter adquirido os aparelhos de forma legítima.

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Outro ponto debatido internamente foi a possibilidade de erros no sistema de notificações. A preocupação é que eventuais falhas possam atingir usuários sem qualquer relação com aparelhos roubados, gerando críticas adicionais ao programa.

Apesar das ponderações, Lula decidiu acelerar o lançamento da iniciativa.

Governo aposta em redução dos roubos

O Ministério da Justiça sustenta que a medida pode atingir um dos principais pilares que sustentam o roubo de celulares: a revenda dos aparelhos.

A avaliação da pasta é que, ao aumentar o risco para quem compra dispositivos sem procedência comprovada, o mercado ilegal tende a perder força, reduzindo o incentivo econômico para a prática criminosa.

O governo também argumenta que o programa pode contribuir para conscientizar consumidores sobre a importância de verificar a origem dos aparelhos antes da compra.

Programa foi inspirado em experiência do Piauí

Conforme destacou O Globo, a iniciativa nacional foi inspirada em ações desenvolvidas no Piauí, onde o governo estadual implantou um sistema de identificação de aparelhos roubados por meio do número IMEI.

Segundo dados divulgados pelo governador do estado, Rafael Fonteles, a estratégia ajudou a reduzir significativamente os índices de roubo de celulares nos últimos anos.

O Ministério da Justiça afirma que a versão federal incorpora aperfeiçoamentos tecnológicos e procedimentos adicionais para ampliar a precisão das notificações.

Segurança pública e eleição se cruzam

A nova fase do programa surge em um momento em que a segurança pública ocupa espaço central no debate político nacional. O roubo de celulares aparece entre as principais preocupações da população em pesquisas sobre violência urbana.

Por outro lado, conforme revelou O Globo, integrantes do governo reconhecem que a medida pode produzir efeitos políticos imprevisíveis, especialmente entre consumidores que se sintam prejudicados pela devolução dos aparelhos.

Enquanto o Planalto aposta no potencial da iniciativa para combater o crime, o sucesso da medida também será observado sob a ótica eleitoral, já que a repercussão junto à população poderá influenciar a percepção sobre uma das principais apostas do governo federal na área de segurança pública.

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