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Ex-ministro da Defesa declarou TSE como "INIMIGO" e usou militares para tentar REELEGER BOLSONARO, diz PF

08 de fevereiro de 2024 às 15:55

O ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira afirmou em reunião ministerial realizada em julho de 2022 que utilizou as Forças Armadas para questionar a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e garantir a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As declarações estão presentes em um vídeo obtido pela Polícia Federal (PF) ao analisar o computador do ex-ajudante de ordens Mauro Cid.

Os diálogos entre Bolsonaro e seus subordinados embasaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as operações de busca e apreensão realizadas nesta quinta-feira, 8, em endereços de aliados do ex-presidente.

Além de Bolsonaro e Nogueira, também participaram da reunião o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno, o ex-ministro da Casa Civil Walter Braga Netto e o então chefe da Secretaria Geral da Presidência, Mário Fernandes.

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De acordo com a PF, o encontro organizado pelo ex-presidente com a "alta cúpula do governo federal" tinha como objetivo "a ilícita desinformação contra a Justiça Eleitoral, apontando o argumento de que as Forças Armadas e os órgãos de inteligência do Governo Federal detinham ciência das fraudes".

Na ocasião, o ex-ministro da Defesa classificou o TSE como "inimigo" e assumiu que instrumentalizou as Forças Armadas para questionar a condução do processo eleitoral e contraditar as ações adotadas pela Comissão de Transparência da Corte.

Como mostrou o Estadão em maio de 2022, as Forças Armadas foram usadas pelo então ministro da Defesa para reproduzir o discurso bolsonarista de ataques às urnas eletrônicas por meio de 88 perguntas enviadas ao TSE.

As desconfianças foram levantadas apesar de os órgãos de investigação nunca terem detectado fraudes no sistema eletrônico de votação.

Naquele ano, os militares enviaram uma sequência de cinco ofícios sigilosos com questionamentos que iam do nível de confiança nos sistemas de votação a propostas de aperfeiçoamento da transparência da Corte.

De volta à reunião realizada em julho de 2022, Bolsonaro assumiu os órgãos do governo que integram a Comissão Eleitoral do TSE deveriam "produzir um documento em conjunto afirmando que a garantir da lisura das eleições, naquele momento, seria impossível de ser atingida", conforme descreveu o ministro Alexandre de Moraes no despacho que autorizou as operações desta quinta-feira. O ex-presidente orientou que as Forças Armadas e a PF produzissem uma nota conjunta com a afirmação de que "a lisura das eleições são simplesmente impossíveis de ser atingidas (sic)".

Logo após orientar um movimento das instituições de Estado contra o processo eleitoral, Bolsonaro disparou uma série de ataques contra os ministros do TSE.

O ministro Moraes afirmou no despacho que "a descrição da reunião de 5 de julho de 2022, nitidamente, revela o arranjo de dinâmica golpista, no âmbito da alta cúpula do governo, manifestando-se todos os investigados que dela tomaram parte no sentido de validar e amplificar a massiva desinformação e as narrativas fraudulentas sobre as eleições e a Justiça eleitoral, entre outras, inclusive lançadas e reiteradas contra o então possível candidato Luiz Inácio Lula da Silva, contra o TSE, seus Ministros e contra Ministros do Supremo Tribunal Federal".

Estadão Conteúdo

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