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Déficit das estatais no terceiro mandato de Lula atinge R$ 18,5 bilhões; aponta Banco Central

Déficit chega ao maior patamar histórico, com destaque para os Correios e cenário fiscal delicado em ano pré-eleitoral.

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20 de outubro de 2025 às 14:09   - Atualizado às 14:16

Presidente Lula

Presidente Lula Foto: Fábio Rodrigues/Agência Brasil

Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as empresas estatais brasileiras acumularam um déficit primário de R$ 18,5 bilhões, segundo dados recentes do Banco Central compilados pelo CNN Money. Este é o maior resultado negativo para o período desde o início da série histórica disponível.

O rombo nas contas das estatais começou em 2023, com déficit de R$ 2,2 bilhões. Em 2024, o valor quase quadruplicou, atingindo R$ 8,07 bilhões, e só nos primeiros oito meses de 2025 o saldo negativo já alcançou R$ 8,3 bilhões. Esses números não incluem a Petrobras e os bancos públicos, que possuem regras de governança corporativa semelhantes às de empresas privadas.

A principal responsável pelo déficit das estatais no governo Lula é a estatal dos Correios. A empresa postal registrou prejuízo de R$ 4,3 bilhões somente no primeiro semestre deste ano, após déficit de R$ 2,6 bilhões em 2024. Recentemente, os Correios anunciaram um plano de reestruturação e solicitaram um empréstimo de R$ 20 bilhões para tentar conter as perdas.

Especialistas ouvidos pela CNN Brasil avaliam que o cenário fiscal das estatais no governo Lula 3 deve continuar desafiador, especialmente diante do clima político delicado típico de ano pré-eleitoral. Segundo a advogada Deborah Toni, especialista em direito público, “há uma tendência natural de postergação de ajustes e resistência a medidas impopulares, o que pode prolongar o déficit, principalmente se não houver uma reformulação profunda da atuação dessas empresas”.

Por outro lado, o Ministério da Gestão e Inovação (MGI) destaca que o déficit primário não é o indicador mais adequado para avaliar a saúde financeira das estatais. O órgão explica que déficits podem ocorrer em ciclos de investimentos intensivos financiados por recursos acumulados anteriormente ou por endividamento planejado, o que não necessariamente indica má gestão ou insuficiência de receita.

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“O resultado primário é calculado sob a ótica das finanças públicas, e não reflete necessariamente a situação de caixa ou o desempenho mercadológico da empresa”, afirmou o MGI. Em outras palavras, o déficit pode refletir estratégias de investimento e não falhas operacionais.

O desempenho negativo das estatais no governo Lula 3 levanta debates sobre a sustentabilidade fiscal e a necessidade de reformas para garantir maior eficiência e equilíbrio financeiro no setor público, sobretudo em um contexto político e econômico de incertezas.

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