Agência dos Correios Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os Correios ampliaram os investimentos em patrocínios culturais em 2024, atingindo quase R$ 34 milhões, um aumento de 916,5% em relação ao ano anterior.
Sob a gestão de Fabiano Silva dos Santos, a estatal justificou o crescimento como parte de uma estratégia para "ampliar o alcance e visibilidade da marca".
Apesar disso, a empresa enfrenta um déficit acumulado de R$ 2 bilhões até setembro deste ano, com projeções de superar o recorde negativo de 2015.
Os gastos com patrocínios têm variado nos últimos anos. Em 2016, entre o governo Dilma Rousseff (PT) e o início do governo Michel Temer (MDB), os investimentos somaram R$ 10,9 milhões, atingindo um pico de R$ 23,9 milhões em 2017.
Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), os valores caíram significativamente, para R$ 800 mil em 2019 e R$ 300 mil em 2022. O aumento em 2024 marca um retorno aos patamares mais altos de investimento.
Entre os patrocínios realizados, destacam-se R$ 600 mil para a 36ª Feira Internacional do Livro de Bogotá, realizada em abril. Apesar de não operar na Colômbia, os Correios justificaram o apoio ao evento como uma ação para "potencializar a marca e os negócios".
O evento teve como tema “Leia a Natureza” e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que discursou na abertura.
Outro evento patrocinado foi o festival Lollapalooza, em São Paulo.
A diretora de Governança e Estratégia da estatal, Juliana Picoli Agatte, representou os Correios na feira. Ligada ao PT, ela foi indicada ao cargo pelo ex-ministro da Secom Edinho Silva, atual prefeito de Araraquara.
Em resposta às críticas, os Correios defenderam os investimentos, afirmando que seguem critérios técnicos e diretrizes estratégicas.
“Os Correios investem em patrocínio com vieses institucional e concorrencial. Todos os contratos visam potencializar a marca e os negócios, conforme diretrizes e parâmetros específicos, com base nos normativos e na legislação, e estão alinhados ao plano estratégico da empresa”, declarou a estatal ao portal Poder360.
Embora os patrocínios busquem fortalecer a imagem da empresa, o elevado déficit financeiro da estatal tem gerado questionamentos sobre a prioridade de tais investimentos em meio a dificuldades econômicas.
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