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Ciro Gomes critica ideia de pleno emprego no Brasil e aponta distorção em dados oficiais

Para Ciro, o país vive um cenário artificial sustentado por programas sociais que, segundo ele, são contabilizados como ocupação pelo IBGE.

Portal de Prefeitura

26 de novembro de 2025 às 14:12   - Atualizado às 14:21

Lula e Ciro Gomes

Lula e Ciro Gomes Foto Montagem/Portal de Prefeitura/ Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em uma fala contundente, Ciro Gomes questionou a interpretação do governo federal sobre os números do mercado de trabalho e afirmou que o suposto pleno emprego no Brasil não reflete a realidade vivida pela população. Segundo ele, a situação do país é distorcida por um critério adotado na medição do desemprego, que inclui beneficiários de políticas sociais como pessoas “ocupadas”.

Ciro começa a crítica dirigindo-se à “propaganda oficial”, que, de acordo com ele, afirma que o país alcançou pleno emprego. Para reforçar sua contestação, compara o Brasil com economias desenvolvidas:

“Nós estamos, o que não acontece em sociedade moderna nenhuma do planeta, só nós, na sociedade atrasada, decadente como nós estamos, estamos vivendo a pleno emprego. A Europa está vivendo um drama grave do desemprego estrutural, em que na Espanha, por exemplo, se nós tomarmos os jovens de 18 a 25 anos, a taxa de desemprego se aproxima de 40%.”

Segundo ele, essa narrativa não se sustenta quando analisada com profundidade. Ciro afirma que a fonte dos dados o IBGE utiliza uma metodologia que, na visão dele, distorce o cenário real.

“A propaganda oficial diz que nós estamos a pleno emprego. Claro que eles não estão mentindo assim tão despudoradamente, a fonte deles é o IBGE. Então vamos bater na porta do IBGE e vamos compreender e fazer uma pergunta, peraí um pouquinho.”

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Crítica à metodologia

Ciro segue afirmando que, ao investigar a metodologia, encontrou o que considera o ponto central do problema:

“É que neste país e somente aqui, se o cidadão está cliente de um programa fisiológico. Da proteção das políticas sociais compensatórias, aqui se diz que ele está ocupado, portanto não está desempregado. Pronto, a chave está aí.”

Para ele, programas como BPC e Bolsa Família são fundamentais para combater a fome e proteger pessoas vulneráveis, mas não podem ser confundidos com emprego:

“94 milhões de brasileiros estão hoje vivendo das políticas sociais compensatórias, o assistencialismo oficial. Isso evidentemente […] é a diferença de comer ou não comer. Portanto não estou falando contra.”

O que ele critica é a consequência dessa metodologia para a análise do mercado de trabalho e para o discurso oficial de que há pleno emprego no Brasil.

Trabalho qualificado como eixo do desenvolvimento

Ciro encerra a análise com uma defesa enfática da importância do emprego digno:

“Isso é uma coisa completamente estrategicamente patológica, doentia. O que bota uma nação pra frente, pra progredir, é o trabalho qualificado e decentemente remunerado.”

Conclusão

A fala de Ciro Gomes reabre o debate sobre a qualidade das métricas de emprego e sobre a real situação do mercado de trabalho brasileiro. Embora reconheça a importância das políticas sociais para combater a fome, ele critica a narrativa de pleno emprego no Brasil, afirmando que a metodologia usada no país mascara problemas estruturais — especialmente a falta de trabalho qualificado e bem remunerado.

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