12ª Marcha Nacional pela Vida, no Congresso Nacional Foto: Larissa Passos/G1
A pesquisa Mulheres em Diálogo, divulgada nesta segunda-feira (24), trouxe à tona um cenário negativo quando o assunto é a legalização do aborto. Embora o estudo tenha identificado um consenso considerável entre as mulheres em questões como igualdade salarial (94%), segurança (77%) e representatividade feminina na política (72%), a descriminalização do aborto se destaca como um dos principais desafios.
De acordo com os resultados, 75% das entrevistadas se mostraram contrárias à descriminalização do aborto, refletindo uma forte rejeição à ideia de legalizar a prática. No entanto, um aspecto interessante da pesquisa é que, apesar dessa oposição à legalização, a grande maioria (72%) se posiciona contra a prisão de mulheres que realizam abortos fora das situações permitidas pela lei, sugerindo uma postura mais flexível e humana em relação à questão.
A cientista política Camila Rocha, uma das responsáveis pela pesquisa, explica que, ao abordar a questão com mais profundidade, algumas mulheres poderiam mudar sua opinião sobre o aborto. “Quando você começa a falar de casos reais, mostra imagens de mulheres que precisaram fazer aborto e não conseguiram acesso, você vê que as mulheres, inclusive as que eram contrárias inicialmente, se sensibilizam muito mais e têm muito mais abertura para falar do assunto”, disse Rocha.
Esses dados revelam que, embora exista uma resistência em relação à legalização do aborto no Brasil, há espaço para a mudança de perspectiva quando a discussão se aproxima de casos concretos, onde a empatia e o entendimento das dificuldades enfrentadas por mulheres em situações extremas entram em cena.
Para o Instituto Update, essa divisão representa um fator-chave na definição de votos e na percepção de políticas públicas voltadas para mulheres no Brasil. Para a diretora do instituto, Carolina Althaller, a pesquisa oferece oportunidade para diálogos e construção de soluções que representem a diversidade de experiências das mulheres no país.
Carolina destaca que, no Brasil, o avanço da direita e do fundamentalismo religioso contribui para a inviabilidade do diálogo entre mulheres de diferentes perfis e na construção de pautas em comum. No entanto, é preciso destacar o trabalho que o movimento feminista tem feito nos últimos anos, afirma.
“Temos 90 mulheres, no total de 513 deputados – é a maior bancada de mulheres da história. Não temos uma democracia verdadeiramente representativa, em que todos os grupos têm oportunidade de representação igual, mas também percebemos essa ocupação feminista do poder acelerando na América Latina.”
“Aqui no Brasil, desde o [primeiro mandato do] Lula, a gente vê esse processo de institucionalização do movimento feminista, e aí a promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, e a criação de equipamentos públicos e políticas específicas para efetivá-la”, ressalta.
A cientista política Camila Rocha pondera que, mesmo com o avanço da ideia de que as mulheres precisam estar mais representadas na política e de que existe machismo no Brasil, ainda há pouca representação das mulheres no Parlamento do país. “O estudo começa justamente nos anos da redemocratização, falando desse momento em que as mulheres que estavam na política naquela época conseguiram se unir e conseguiram vários direitos importantes para as mulheres”, lembrou.
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