A marca japonesa ficou conhecida pela inovação, modernidade e pelos preços acessíveis.
Nos anos 1990 e início dos anos 2000, poucas marcas despertaram tanto desejo entre os brasileiros quanto a japonesa Aiwa. Seus icônicos dispositivos portáteis, Walkman e Discman, eram símbolo de status, inovação e liberdade musical.
Quem teve um desses aparelhos provavelmente guarda boas lembranças de caminhar pelas ruas, fone no ouvido, ao som da própria trilha sonora.
A fama da Aiwa se consolidou rapidamente. Seus produtos eram inéditos no mercado nacional, com design moderno, funcionalidades avançadas e, o que mais encantava o consumidor brasileiro, um preço acessível.
O sucesso dos aparelhos de som da marca, muitos deles equipados com carrosséis de CDs que comportavam até cinco discos, transformou a empresa em líder absoluta de vendas nas principais lojas de varejo.
No entanto, o brilho começou a se apagar. Problemas de gestão financeira colocaram a empresa em xeque, e em 2008, após anos de crise, a Aiwa foi adquirida pela Sony, sua até então rival. A aquisição selou o fim da presença marcante da marca no Brasil, tornando seus produtos relíquias nostálgicas nas casas de muitos brasileiros.
Em 2022, para a surpresa dos saudosistas, a Aiwa voltou ao Brasil, ocupando o espaço deixado pela própria Sony. A reestreia se deu com apoio do Grupo MK, dono da Mondial, que passou a usar a mesma fábrica da antiga gigante japonesa na zona franca de Manaus, uma estrutura de 27 mil metros quadrados.
A nova Aiwa tenta equilibrar o peso da nostalgia com as exigências do mercado atual. Agora, a marca atua no segmento premium, enfrentando gigantes como JBL e LG, com uma linha de 17 produtos, incluindo televisores de última geração, fones de ouvido, caixas de som e aparelhos automotivos.
Os preços podem chegar a R$ 3 mil, e a distribuição inclui lojas físicas, e-commerce e uma parceria estratégica com a Polishop, que busca expandir sua presença no ramo de áudio e vídeo.
A nova fase da Aiwa ainda é tímida em comparação com o furacão que foi sua presença no passado. Mas uma coisa é certa: para quem viveu a era dourada dos aparelhos de som e das fitas rebobinadas com caneta Bic, ver a Aiwa novamente nas prateleiras é como reviver uma parte importante da história musical e afetiva do Brasil.