Além de beneficiar quem recebe, a doação frequente também pode ter impactos positivos para o pr...
A doação de sangue é um ato solidário que salva vidas todos os dias. No entanto, é fundamental que os doadores respondam com total sinceridade durante a triagem clínica.
Além de beneficiar quem recebe, a doação frequente também pode ter impactos positivos para o próprio doador. Um estudo publicado recentemente na revista científica Blood, da Sociedade Americana de Hematologia, investigou os efeitos da doação regular sobre o sangue de doadores de longa data.
A pesquisa analisou 217 homens que doaram sangue cerca de três vezes por ano ao longo de 40 anos e os comparou com um grupo de 212 voluntários que doavam raramente ou nunca haviam doado.
Os cientistas identificaram mutações genéticas diferentes entre os grupos. Embora não tenha sido observada uma diferença na frequência do fenômeno conhecido como hematopoiese clonal.
Nesse processo, as células do sangue passam a se replicar de maneira idêntica, os tipos de mutações vistas nos doadores frequentes pareciam ter um perfil protetor contra doenças como leucemia.
A produção de sangue após a doação exige do corpo um esforço extra, estimulando a renovação das células sanguíneas. Isso pode levar ao surgimento de mutações, mas, no caso dos doadores regulares, essas alterações tendiam a ser benignas.
O estudo ainda mostrou que as células desses doadores reagiam de forma distinta quando expostas a substâncias naturais do corpo, como a eritropoetina (hormônio que aumenta a produção de sangue) e o interferon gama (proteína associada a processos inflamatórios e ao risco de câncer).
Sob o efeito da eritropoetina, por exemplo, as células dos doadores frequentes desenvolveram mais mutações inofensivas em um gene específico, enquanto nas dos doadores esporádicos o interferon gama favoreceu o surgimento de mutações pré-malignas.
Essas descobertas ainda precisam de mais estudos para confirmação, mas já levantam uma hipótese animadora: além de salvar outras vidas, doar sangue com regularidade pode também oferecer efeitos protetores à saúde do próprio doador.
Mesmo com possíveis benefícios adicionais, o foco da doação de sangue deve sempre ser a solidariedade. Doar é um gesto de empatia e responsabilidade social, e com o devido cuidado e sinceridade, esse gesto pode transformar a vida de muitos.