A ideia parece piada, mas nasceu de um problema real: o único cemitério da cidade estava lotado.
Já pensou em morar num lugar onde morrer é contra a lei? Pois isso quase aconteceu em Biritiba-Mirim, uma cidadezinha do interior de São Paulo que, em 2005, ganhou fama nacional graças a uma proposta pra lá de inusitada.
O então prefeito de Biritiba-MirimRoberto Pereira da Silva (PSDB) decidiu mandar para a Câmara um projeto que proibia os moradores de simplesmente morrer.
E o texto era sério: previa punições para os "infratores" e até determinava que os munícipes cuidassem bem da saúde "para não falecer".
A ideia parece piada, mas nasceu de um problema real: o único cemitério da cidade estava lotado. Não havia espaço para novos sepultamentos e, por estar dentro da Serra do Mar e em área de mananciais, o município não tinha autorização para construir outro.
Apesar de parecer um episódio de seriado de humor, a estratégia funcionou. A repercussão foi tão grande que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) mudou as regras.
Em 2010 nasceu o Cemitério Jardim Takebe, com capacidade para 12 mil sepulturas, bem mais do que o antigo, inaugurado em 1910, que só comportava 3,5 mil túmulos.
Até o coveiro da cidade reconheceu o impacto da "lei do não morrer". "Se não fosse aquilo, talvez não tivesse saído um novo cemitério.