Na prática, a invenção deixa de ser um "acumulador de calor" e passa a funcionar como um refletor...
A construção civil pode estar diante de uma de suas maiores transformações das últimas décadas. Pesquisadores da Universidade Sudeste, na China, desenvolveram um novo tipo de cimento capaz de manter edifícios naturalmente mais frescos, reduzindo de forma significativa a necessidade de ar-condicionado.
Hoje, o cimento tradicional, usado em larga escala em obras ao redor do mundo, é um dos responsáveis pelo desconforto térmico em grandes cidades. Isso porque ele absorve a radiação solar e retém calor, aquecendo ainda mais os ambientes.
Em centros urbanos densamente construídos, esse efeito contribui para o chamado "ilhas de calor urbano", que tornam as cidades abafadas, aumentando o consumo de energia e afetando diretamente a qualidade de vida da população.
A inovação foi a incorporação de cristais microscópicos de etringita, um mineral formado por sulfato de cálcio e alumínio hidratado. Esses cristais atuam como minúsculos espelhos, capazes de refletir parte da radiação solar e, ao mesmo tempo, dissipar o calor absorvido.
A eficácia do material foi comprovada em experimentos realizados no telhado da Universidade Purdue, nos Estados Unidos. Sob sol intenso, a superfície revestida com o novo cimento registrou uma temperatura 5,4 °C mais baixa que o próprio ar ambiente, um resultado considerado inédito e promissor.
Além do desempenho térmico, o cimento também apresentou alta durabilidade em diferentes condições, resistindo a testes mecânicos, ambientais e ópticos. Isso mostra que a inovação pode ser aplicada em larga escala sem comprometer a segurança ou a vida útil das construções.
Com auxílio de algoritmos de aprendizado de máquina, os pesquisadores projetaram que o novo cimento pode retirar mais carbono da atmosfera do que emite durante sua produção, um feito histórico para um dos setores mais poluentes do planeta.
Outro efeito direto seria a diminuição das ilhas de calor urbano, um problema crescente em grandes metrópoles. Cidades inteiras poderiam se tornar mais frescas, saudáveis e sustentáveis, proporcionando maior conforto térmico à população, reduzindo riscos à saúde em ondas de calor e contribuindo para a adaptação às mudanças climáticas.
Apesar dos resultados promissores, o novo cimento ainda está em fase de pesquisa e testes. Para se tornar realidade no mercado, será necessário ampliar os estudos, avaliar custos de produção e testar em diferentes escalas de aplicação.