Foto: Rodolfo Loepert/Divulgação

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O governador de Pernambuco, Paulo Câmara falou sobre o parecer da reforma da Previdência que foi aprovado na última terça-feira (23) na CCJ por 48 votos a favor e apenas 18 contra a admissibilidade da reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro (PEC 6/19).

Veja as palavras do governador Paulo Câmara, do PSB:

“Hoje, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), em reunião do Diretório Nacional, posicionou-se contra o relatório provado na CCJ da Câmara sobre a proposta de Reforma da Previdência, apresentada pelo Governo Federal. A decisão foi adotada após debate, neste colegiado plural, que tem a maior representação social da nossa agremiação. Ficou denido que o Diretório voltará a se reunir, para novas deliberações, caso ocorram alterações no texto da proposta, na Comissão Especial da Reforma.

Na condição de vice-presidente nacional do PSB e de governador de Pernambuco, venho reiterar aqui o meu posicionamento, já assumido em outras oportunidades. Sou contrário ao texto que tramita no Congresso Nacional, pois o mesmo aponta para o aprofundamento das desigualdades sociais.

Considero inaceitável a cristalização de um cenário que penalizaria, outra vez, os mais pobres. Este quadro precisa, na verdade, ser revertido.É para isso que trabalhamos. Pontos como a desconstitucionalização das normas previdenciárias, mudanças na aposentadoria rural, a capitalização e o novo formato do Benefício de Prestação
Continuada (BPC), embutidos em um discurso de salvação das contas públicas brasileiras, seguirão combatidos por nós. A responsabilidade fiscal, exigida de todos os governantes, não pode ser custeada pelo sacrifício social.
Reconheço a importância da realização de uma reforma da previdência, que no meu estado possui um décit de R$ 2,6 bilhões.

Sou governante, tenho absoluta consciência das implicações presentes e futuras de uma ausência de atitude, hoje.O caminho deve ser o que dá suporte ao crescimento do país, com mais equilíbrio e sustentabilidade às contas da União, dos Estados e dos Municípios. No entanto, lutarei para que a efetivação de mudanças, para melhor, respeite e dialogue  com as especialidades regionais e sociais de um país tão diverso.

A nossa população, ainda bastante vulnerável, em sua maioria, espera do Estado brasileiro mais do que cálculos frios e punitivos. É fundamental a compreensão do seu verdadeiro papel, do governo em todas as esferas, para a construção de um futuro mais inclusivo, com oportunidades para todos, sobretudo e em primeiro lugar, para aqueles historicamente mais desassistidos. 

O Brasil que queremos não restringe direitos da população, ele os garante e amplia”.

O governador se posiciona contra o projeto da reforma no mesmo dia em que o partido PSB (partido de Paulo Câmara) anunciou que estava fechando questão contra as mudanças, e um dia depois do ministério de Paulo Guedes, responsável pela reforma da Previdência, ter começado a divulgar os números que embasaram os estudos. Em um deles, nesta quarta-feira, repetido novamente nesta quinta, a pasta apresenta projeções por Estado e região, da
economia a ser obtida com mudanças nas regras de aposentadoria de servidores e militares.

No caso de Pernambuco, segundo o estudo da Previdência, seria possível a obtenção de R$ 12 bilhões em dez anos.