Um áudio foi vazado recentemente, onde é possível ouvir o apóstolo Luiz Hermínio, da Missões Evangelísticas Vinde Amados Meus (MEVAM), revelando a um pastor não identificado, que a acusação contra Marcus Grubert, esposo da cantora Heloisa Rosa, seria de prática de sexo oral contra uma criança ao invés de estupro.

O áudio foi publicado pela ONG Hope and Justice, que auxilia a família da vítima, em colaboração com o pastor Anderson Silva e o Fuxico Gospel.

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Segundo o Hope and Justice, a a fala contém “palavras irônicas e exdrúxulas do líder religioso Luiz Hermínio”, e disse que a intenção é de “minimizar os efeitos do bárbaro crime cometido pelo filho do seu amigo Irineo Grubert e esposa da cantora gospel Heloísa Rosa”.

Segundo Luiz Hermínio, só haveria crime de estupro se houvesse penetração, o que não corresponde ao inquérito instalado pela Polícia da Flórida:

“A informação está equivocada. Você está falando de hímen, a menina não foi estuprada. O que aconteceu, a acusação, é de sexo oral. A acusação é de sexo oral, e segundo o promotor – que eu não sei também, não ‘tô’ lá – ele disse que não tinha provas. A menina não foi violentada. Ela não perdeu o hímen, não perdeu a virgindade, não houve penetração em hipótese alguma, segundo está nos relatórios”, diz Hermínio no áudio.

Escute o áudio:

O Código Penal Brasileiro determina que para ser considerado estupro não precisa necessariamente haver a conjunção carnal ou rompimento do hímen.

“Os efeitos negativos que a desinformação pode causar em casos de abuso sexual, principalmente quando essa desinformação vem de líderes que supostamente deveriam buscar ter o verdadeiro entendimento sobre esses crimes para assim, agir de maneira coerente e em concordância com a lei são por demais danosos. Permaneceremos nessa luta unidos, dando voz pra quem precisa e trazendo toda a verdade para a luz. “Para que o mal prevaleça, basta que os bons não façam nada”, argumentou a ONG na publicação.

Outro lado

Em resposta, o MEVAM e seu líder publicaram uma nota afirmando crerem “na recuperação e transformação de todo e qualquer pecador arrependido que, ao deixar o pecado, encontra em Deus misericórdia”.

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O ministério também enfatiza que existem “autoridades estatais para investigar e julgar pessoas que cometem qualquer tipo de crime”, acrescentando que nenhum integrante do corpo pastoral se envolveu com práticas criminosas.

“Defendemos que toda e qualquer atitude com indícios de práticas criminosas devem ser devidamente apuradas, com a responsabilização de eventuais envolvidos, após o devido processo legal, respeitado os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, sempre objetivando que nada fique encoberto, com os devidos esclarecimentos, independente da complexidade, na forma da Lei”, finaliza a nota do MEVAM.