Pré-candidatos a prefeito de São Paulo e parlamentares de direita criticaram o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) por causa de uma publicação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que utiliza uma imagem de Jesus Cristo crucificado enquanto um dos soldados romanos diz: “bandido bom é bandido morto”.

A publicação foi feita na sexta-feira, 29, data do feriado cristão que relembra a crucificação de Jesus.

“Boa sexta-feira Santa!”, escreveu o MTST na legenda da imagem. O post teve mais de 1,5 milhão de visualizações. Veja abaixo:

Boulos, também pré-candidato, não integra mais o MTST, onde foi uma liderança e militou por 20 anos, mas ainda tem a imagem ligada ao movimento.

O mote do “bandido bom é bandido morto” é usado por uma parte da direita brasileira que defende a eliminação de criminosos como solução para o problema da segurança pública que atinge todo o País.

O emedebista e outros opositores costumam explorar a ligação do rival com o MTST o chamando de “invasor”, em referência ao instrumento utilizado pelo movimento social para pressionar o poder público a atender reivindicações sobre moradia popular.

Boulos, por sua vez, diz que o movimento não invade casas e, ao contrário do que afirmam seus críticos, dá moradias para as pessoas.

Ele acredita que sua política habitacional, caso seja eleito, desestimulará invasões.

A reportagem pediu um posicionamento de Boulos sobre a publicação do MST e também sobre as críticas dirigidas a ele a partir da postagem, mas ainda não obteve resposta.

O MTST disse que faltou interpretação sobre a publicação e usou a passagem bíblica de Lucas, capítulo 23, para se justificar.

No relato, o governador romano Pôncio Pilatos inicialmente queria libertar Jesus após interrogá-lo, mas, após pressão popular, decidiu condená-lo à crucificação.

Em seu lugar, também a pedido do povo, foi libertado Barrabás. Ele havia sido detido por assassinato e por estimular um motim.

O deputado federal por Minas Gerais Nikolas Ferreira (PL) afirmou que a publicação “enterrou” a candidatura de Boulos, enquanto o presidente do PP, Ciro Nogueira, cujo partido apoia a reeleição do prefeito paulistano, disse que o MTST desrespeitou Jesus.