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Albérisson Carlos afirma: "Com Bolsonaro temos perspectiva de que teremos uma malha jurídica protetora, não para matar, mas para combater a criminalidade"

Redação

06 de agosto de 2018 às 10:37

[caption id="attachment_3706" align="alignleft" width="300"] Fonte: Beto Dantas[/caption]

Conversamos com Albérisson Carlos, Policial Militar há 25 anos e Presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco. Carlos é Policial Militar, há cerca de 25 anos e preside a entidade a 4 anos. Ele ficará à frente da mesma até 2019.

Atualmente Albérisson é pré-candidato a Deputado Federal pelo PRP. Ele credita sua candidatura à busca pelo empoderamento político da categoria militar no Estado. O pré-candidato declarou: “Como Presidente da ACS temos o poder de negociação com o Governador e com Secretários, representando a categoria. Como Deputado Federal, podemos propor e promover mudança de legislação que beneficiem a categoria e a sociedade em geral”.

Ao falar sobre o que pretende fazer pela sociedade pernambucana se eleito, Carlos destacou ações que considera fundamentais dentro do tema da Segurança Pública. “O primeiro problema da Segurança Pública se chama Salário”, disse Albérisson. O pré-candidato afirmou que a questão salarial motiva o profissional de Segurança Pública muito mais do que receber coletes ou armas. O policial precisa saber que se for morto no exercício de sua função, a sua família terá condições de se manter dignamente, especialmente se esse policial for o mantenedor.

Carlos  pretende envidar esforços pela unificação das Polícias no Brasil. A PEC 124, do Senador Joaquim Capiberibe, e a PEC 300, que foi apensada à PEC 446, tratam sobre isso. Em relação à PEC 300, Albérisson declarou que entre 2009 e 2010 esteve por sete vezes em Brasília, junto com o Coronel Luiz Meira, para ajudar nas mobilizações para a aprovação da mesma. Carlos declarou: “Não se admite que um Policial Militar do Piauí ganhe diferente do Policial Militar de Pernambuco, da Bahia, do Rio Grande do Sul, do Acre. Um assalto a banco no Piauí não é diferente de um assalto a banco em Pernambuco, apesar da ocorrência ser, em proporção maior ou menor, tratada de uma forma diferente. O risco é igual quando a Polícia vai para o confronto com o bandido”.

Um segundo ponto de grande importância para Albérisson é a preocupação com o respaldo legal para o trabalho do servidor público. “Um policial militar ou civil deve comprovar legítima defesa no caso de reagir contra um bandido num confronto. A legítima defesa já é uma excludente de ilicitude. Se comprovado até num depoimento numa Delegacia, o policial não deveria ir à Justiça para se explicar de novo sobre a mesma coisa, correndo o risco de pegar um juiz ou promotor que tenha uma linha de defesa baseada no princípio da ultima ratio – que diz que a prisão é a última razão de acontecer tudo. O Brasil hoje está usando esse princípio. Temos indultos concedidos a bandidos que cometeram crimes hediondos, e os policiais ficam enxugando gelo. Precisamos de uma legislação que dê cobertura ao policial, e lhe dê condição de saber que vai trabalhar, que vai praticar a Lei, e que ela estará a seu favor”, explicou Albérisson Carlos.

Uma terceira meta de Albérisson gira em torno da questão da moradia. Ele afirmou que é necessário haver um plano de habitação diferenciado para o policial. “Quando o bandido sabe a identidade do policial, a família dele já se torna um alvo. Precisamos trabalhar a questão da proteção da família do policial”, explicou.

Albérissom Carlos deu ainda mais um exemplo do que pretende fazer em Brasília pelos profissionais de Segurança Pública: “Em outros países as famílias têm o estudo garantido e atrelado à ficha do policial. Se o policial cometer um erro, a faculdade que o Governo paga, ele perde. Isso é até uma forma de incentivar o policial a ter uma vida ilibada para que a sua família não venha a ser penalizada. Queremos trazer isso”.

O pré-candidato conversou conosco sobre sua concepção da Violência Urbana em Pernambuco. Carlos fez questão de frisar a diferença entre os Governos de Eduardo Campos e Paulo Câmara. Carlos nos disse que, apesar de não concordar em muitas questões com o Governo de Eduardo Campos, Campos era aberto a ouvir todas as categorias – atitude que Paulo Câmara não tem. “Sentimos falta desse diálogo. Talvez o grande problema do governo Paulo Câmara é que ele é um ditador. Por exemplo, eu fui excluído da Polícia. Tenho 3 exclusões, 14 processos, e eu não fui ouvido em nenhum deles. Os advogados fizeram a defesa, colocaram os documentos, fizeram todo o protocolo, a Corregedoria passou por cima - e eu não tenho nada contra a Corregedoria. Nós ficamos sabendo que a todos aqueles que estavam na Corregedoria foi prometido que seriam promovidos os que acelerassem o processo da minha exclusão.  E todos foram promovidos, sem exceção. Não tenho nenhum problema em citar isso. Eu estava afastado na época, com parecer psicológico, psiquiátrico, mas nada adiantou. Não tive direito a ampla defesa e contraditório”, nos contou Carlos.

Houve uma marcha, da qual Carlos participou, e que fez o enterro simbólico do Pacto após uma caminhada coletiva em Boa Viagem, em 2007. Alberisson acredita que, de fato, o Programa de Governo teve seu enterro justificado: “O Pacto teve seu enterro no momento certo. O Governo brincou com 5.447 vidas assassinadas – não digo vítimas, digo vidas.  Em toda a história do Pacto, em dez anos de implementação, foi o ano com maior número de homicídios”.

Albérisson fez críticas mais incisivas ao Pacto: “O Governo de Paulo Câmara nomeou um Secretário de Defesa Social, um Policial Federal, com Processo no Ministério Público Federal. Quando esse Policial foi Superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, havia provas contundentes no Ministério Público Federal de que ele havia facilitado para o Crime Organizado no Estado. Isso até foi fruto de uma reportagem em revistas de grande circulação, pedindo, inclusive, a exoneração dele quando ele estava adido à Embaixada da Itália, porque ele era um policial com arranhões na ficha. Como é que o Governador traz para Pernambuco alguém que não conhece a nossa realidade, alguém que era perseguidor de servidores públicos? Além do mais, naquele momento a violência eclodiu de maneiras contundentes que mostraram as falhas do Pacto Pela Vida”.

Sobre o maior desafio da ACS, Albérisson Carlos expôs o seguinte: “Precisamos ter o poder de funcionamento novamente. O Governo Paulo Câmara cortou isso. Temos um processo que está transitado em julgado. O Desembargador determinou que nosso código de desconto em folha fosse reimplantado, mas o Governador desrespeitou a ordem. O Desembargador mandou novamente que a ordem fosse cumprida, colocou um bloqueio na conta, eles entraram com um mandado de segurança, o bloqueio foi mantido, mas a expedição do alvará para fazer o pagamento do valor que está bloqueado o Estado conseguiu com outro Desembargador, e aí, está suspensa. Só estamos com a contribuição voluntária”.

Carlos afirma que a entidade possui 14.800 policiais cadastrados, e que a Associação está funcionando com contribuição voluntária. A ACS dá assistência social, jurídica, visita batalhões para ver de perto as necessidades da categoria, além de visitar comandos no interior também. O pré-candidato desabafou, mais uma vez, sua indignação sobre o fim do recolhimento das contribuições para a ACS: “O Estado cometeu um crime. Infelizmente o Desembargador não mandou prender o Governador, nem pediu uma intervenção no Estado por um descumprimento de uma ordem judicial do tribunal em segundo grau”.

[caption id="attachment_3711" align="alignleft" width="300"] Fonte: Beto Dantas[/caption]

Para concluir, perguntamos a Albérisson Carlos o que ele acha sobre a identificação que tantos policiais têm para com o nome de Bolsonaro. Carlos nos disse: “Com Bolsonaro temos uma boa perspectiva de que teremos uma malha jurídica protetora, não para matar, como as pessoas falam, mas  para combater a criminalidade”. Albérisson citou uma recente situação em Caruaru, em que alguns indivíduos entraram numa residência para assaltar, e, além de levarem uma motocicleta, mataram marido, esposa, uma filha e tentaram tirar a vida de um movem que estava no local. “A pergunta que eu faço é: e o sonho desse jovem que sobreviveu? E o sonho daquelas pessoas que foram mortas? Daqui a 10 ou 15 anos esses bandidos estarão na rua novamente e darão continuidade a suas vidas com suas famílias. Os bandidos que fizeram aquilo ainda receberão do Estado um auxílio-reclusão. Então, a gente defende que casos assim tenha pena de morte”. Albérisson Carlos fez questão de frisar que não defende a pena de morte de maneira banal. Ele confessou: “Eu sou um homem a favor da vida, inclusive sou cristão, evangélico”.

Albérisson Carlos finalizou nos dizendo que a população está cansada, e que os policiais estão exaustos de prender uma pessoa de manhã ou á tarde, e no dia seguinte, ou pouco tempo depois, prender novamente a mesma pessoa. O pré-candidato disse o seguinte: “A gente está vivendo num país em que não se pode ter um carro ou um celular melhor sem ser alvo dos bandidos. Que país é esse? Então a gente encontra em Bolsonaro a perspectiva de que, pelo menos, vamos ter uma Polícia com maior efetividade no combater ao crime, e de que teremos garantia jurídica para trabalhar. É por isso que a gente se identifica com Bolsonaro”.

 

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