A Uefa suspendeu nesta sexta-feira o zagueiro turco Merih Demiral por duas partidas na Eurocopa como punição por ter feito um gesto considerado extremista ao comemorar um dos gols que marcou na vitória sobre a Áustria, na terça. Com a decisão, Demiral virou desfalque na seleção turca para o jogo contra a Holanda, pelas quartas de final.

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Se a Turquia surpreender a favorita seleção holandesa, no sábado, o defensor também será desfalque na eventual semifinal. Ele só poderá voltar ao time, nesta competição, se a equipe turca alcançar a grande decisão do torneio continental.

Em comunicado, a Uefa disse ter suspendido Demiral “por descumprir os princípios gerais de conduta, por violar as regras básicas de conduta decente, por utilizar eventos esportivos para manifestações de natureza não esportiva e por desacreditar o futebol”.

Demiral já havia sido repreendido por situação semelhante anteriormente. Em 2019, ele foi um dos 16 jogadores turcos que fizeram saudações em estilo militar em jogos justamente num momento em que a Turquia conduzia uma ofensiva militar na Síria

O gesto do zagueiro nesta Eurocopa foi feito na celebração do segundo gol. Ele fez um sinal com as duas mãos em referência ao grupo nacionalista turco ligado à organização Ulku Ocaklari, mais conhecido como “Lobos Cinzentos”. O grupo é considerado de ultradireita e até mesmo terrorista por alguns países. Há autoridades turcas que responsabilizam o grupo por centenas de assassinatos na década de 70.

Após o jogo, Demiral afirmou que fez uma expressão inocente sobre seu orgulho nacional e que não houve “nenhuma mensagem escondida ou algo do tipo”.

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O gesto trouxe desconforto entre políticos de outros países. Na Alemanha, país-sede da Eurocopa, o ministro do interior, Nancy Faeser, cobrou uma punição ao jogador turco pelo gesto.

O porta-voz do partido do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Omer Celik, disse, em resposta, que os comentários de Faeser e a investigação da Uefa são “inaceitáveis”. “Seria mais apropriado para aqueles que procuram o racismo e o fascismo concentrarem-se nos resultados eleitorais recentes em diferentes países europeus”, escreveu Celik também no X.

Estadão Conteúdo.