De acordo com o colunista do site Em Off, José Roberto Marinho, herdeiro do grupo Globo, filho do fundador da emissora e, atualmente, na fundação Roberto Marinho, estaria envolvido com o empreendimento que promete grande impacto ambiental e destruição de um importante mangue no país, afetando toda fauna e flora de uma região preservada.

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O projeto envolve duas pousadas com vinte e cinco quartos, além de vinte e cinco casas assistidas. O local afetado é na Fazenda Ponta dos Castelhanos, Povoado de São Sebastião, na Ilha de Boipeba, na Bahia.

A construção de um campo de golfe também estaria na visão dos muitos envolvidos no negócio. E um dos sócios de José Roberto Marinho seria Armínio Fraga Neto, ex-presidente do Banco Central.

Moradores protestam

Integrantes da comunidade da Ilha de Boipeba estão participando de uma iniciativa que tem o objetivo de protestar contra um megaempreendimento que pode acontecer no local. Utilizando a internet, o abaixo-assinado já conta com quase 2.400 nomes. As obras aconteceriam numa área de Proteção Ambiental.

Legislativo

O deputado Hilton Coelho (PSOL) apresentou na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), na sexta-feira, 10 de março, Projeto de Decreto Legislativo que susta a Portaria nº 28.063, de 07 de março de 2023, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) que autoriza supressão de vegetação nativa, licença de instalação e autorização para manejo de fauna, válidos pelo prazo de cinco anos, à Mangaba Cultivo de Coco Ltda. para implantação de empreendimento turístico-imobiliário Ponta dos Castelhanos.

“A ALBA tem o dever de se posicionar em defesa dos interesses maiores da população e impedir este atentado social e ambiental. A portaria do Inema permite a supressão vegetal, manejo de fauna e a instalação de um empreendimento imobiliário de luxo sobre terras da União em regime de ocupação de natureza precária em território pertencente, há gerações, a pescadores e quilombolas nativos da Ilha de Boipeba. Estes, por sua vez, aguardam a conclusão da regularização fundiária de seus territórios tradicionais por meio da Superintendência do Patrimônio da União (SPU). Um absurdo se privilegiar o grande Capital em detrimento de interesses ancestrais”, afirma Hilton Coelho.

A área em questão é de 16.507.752,11m², com infraestrutura viária; aeródromo requalificado (221.886,00m²); 69 lotes (2.011.200,60 m²) sendo 67 lotes residenciais e 02 dois lotes para atividades de interesse social (Centro de Cultura e Capacitação, equipamento esportivo e Estação de Tratamento de Resíduos); 02 pousadas com 25 quartos e 25 casas assistidas cada, em áreas de 381.933,00 m² (pousada 1) e 493.847,00 m² (pousada 2); píer de atracação de embarcações de pequeno e médio porte, no povoado São Sebastião, Ilha de Boipeba, município de Cairu.

O parlamentar destaca que “as comunidades tradicionais devem ter direitos assegurados, São manifestação viva da cultura e da preservação da memória, identidade coletiva e do modo de vida diferenciado.  A portaria que o Poder Legislativo deve sustar ignora a existência de comunidades negras tradicionais para conceder espaço em terras da União a uma empresa registrada para cultivo de frutas, que decidiu instalar empreendimento de luxo em 20% da ilha, com a previsão de 69 lotes para residências fixas e veraneio, duas pousadas com 3.500 m² cada, além de mais de 82 casas, parque de lazer, píer e infraestrutura náutica, aeródromo e área de implantação de um campo de golfe de 3.700.000 m². O loteamento que vem desde 2011 tentando usurpar Terra Pública, impactará a existência de manguezais, restingas, apicuns, mata nativa e terrenos de Marinha, todos protegidos pela legislação federal, por sua importância para a sobrevivência e reprodução de inúmeras espécies de peixes e crustáceos”.

Hilton Coelho conclui afirmando que “o Poder Executivo Estadual, por meio do Inema excede seu poder regulamentar, dispondo de forma ilegal sobre autorização de supressão vegetal, licença de instalação e manejo de fauna sobre área da União e sem diálogo e observância da proprietária, conforme fundamentos legais expostos. O registro deste empreendimento sobre propriedade da União apresenta cadastro de Registro Imobiliário Patrimonial irregular, pois realizado sem a anuência obrigatória da SPU e demais procedimentos legais. A inscrição não transfere direito de propriedade, podendo a União, em qualquer tempo, retomar a posse do mesmo, promovendo a desocupação do espaço de forma imediata, precisa ser contida e a ALBA deve reconhecer e contribuir com a solução das reivindicações de terras formuladas pelos povos interessados”.

Da redação do Portal de Prefeitura com informações do Em Off, Notícia Livre e O eco