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Deputado dá VOZ de prisão a PMs por 'INTIMIDAÇÃO'; PF investiga agentes

10 de janeiro de 2024 às 11:00

A Polícia Federal (PF) vai investigar a abordagem da Polícia Militar do Amazonas (AM) ao deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) na última quinta-feira, 4 de janeiro, após o próprio parlamentar denunciar que foi vítima de uma tentativa de intimidação.

Procurada pelo Estadão, a PF informou que não pode dar detalhes de ações em andamento. O inquérito deve apurar a versão do deputado e verificar se os policiais agiram deliberadamente para intimidar o parlamentar e se cumpriam ordens de superiores hierárquicos.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas também foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o episódio. Os policiais afirmaram no boletim de ocorrência que o deputado cometeu abuso de autoridade.

Em depoimento à Polícia Federal, Amom Mandel afirmou que a abordagem foi "truculenta" e que os agentes apontaram as armas para ele, para a mulher e para uma amiga, que também estavam no carro.

Ao Estadão, o deputado contou que os policiais chegaram a fazer ameaças como: "agora você vai conhecer uma abordagem da Rocam". Rocam (Rondas Ostensivas Cândido Mariano) é a força tática de elite da PM do Amazonas.

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Os agentes alegam que o carro em que estava o deputado trafegava com as lanternas apagadas e mudando constantemente de faixa. Uma confusão começou depois que o parlamentar questionou a abordagem e deu voz de prisão aos policiais.

O secretário de Segurança Pública do Amazonas, o coronel Vinicius Almeida, chegou a se deslocar até a ocorrência, na avenida Autaz Mirim, em Manaus. O deputado alega que ele tentou dissuadi-lo de denunciar o caso. Um boletim de ocorrência foi registrado no 14º Distrito Integrado de Polícia.

A versão do secretário, que convocou uma coletiva de imprensa no dia seguinte, é a de que o deputado "humilhou" os policiais. "O que aconteceu foi uma abordagem padrão da Polícia Militar e que ao final os policiais foram desrespeitados, humilhados e esses são os fatos", disse Almeida.

A abordagem aconteceu menos de um mês após o deputado compartilhar com a PF um dossiê produzido por servidores do próprio governo Wilson Lima (União) que, segundo o parlamentar, teria associado autoridades da alta cúpula da Segurança Pública do Estado com o tráfico de drogas e o crime organizado.

Questionado pelo Estadão sobre os nomes implicados, o deputado alegou que não poderia adiantar informações para não prejudicar a investigação em andamento, que tramita em sigilo.

Amom Mandel está no primeiro mandato como deputado federal e alega que vem sendo ameaçado após pedir investigação da alta cúpula da Segurança Pública do Amazonas.

O dossiê entregue à PF foi produzido por um sargento e por um tenente-coronel que, na época, estavam lotados na Secretaria Adjunta de Inteligência (Seai) do Amazonas, órgão vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Estado que cuida de informações sigilosas de investigações policiais. O documento foi entregue ao superintendente da PF no Amazonas.

O Estadão apurou que o relatório denuncia a suposta negociação paralela de favores entre autoridades da Segurança Pública e facções criminosas, em troca de informações. O irmão de um narcotraficante chegou a ser nomeado para um cargo de gerência na Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência, mas foi exonerado após o parentesco vir a público.

Mandel afirma que, desde que compartilhou o relatório com a PF, passou a receber ameaças de números estrangeiros. Também alega que foi vítima de uma campanha coordenada de fake news nas redes sociais.

O deputado pediu ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), proteção da Polícia Legislativa. Uma reunião foi marcada para avaliar a situação.

"Eu continuo temendo pela minha segurança. Há dois dias atrás botaram uma arma na minha cabeça e na cabeça na minha esposa sem justificativa."

Esta não é a primeira investigação aberta pela PF que arrasta a alta cúpula do sistema de Segurança Pública do Amazonas durante o governo Wilson Lima. Ex-secretário de segurança, o general do Exército Carlos Alberto Mansur foi exonerado do cargo em agosto, após ser alvo de uma operação sobre crimes de corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro.

Estadão Conteúdo

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