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ARTIGO: Olinda, Porto das Artes - Por Antônio Campos

"Falta um moderno modelo de gestão, de uma máquina enxuta, eficiente, para sobrar recursos para os investimentos em áreas estratégicas", diz colunista.

Coluna de Antônio Campos. Foto: Portal de Prefeitura
Coluna de Antônio Campos. Foto: Portal de Prefeitura

Antônio Campos – Olinda, Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, fundada em 1535, por Duarte Coelho, comemora aniversário, no próximo dia 12 de março, onde Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro Grito da República, berço dos cursos jurídicos no Brasil, terra dos bonecos gigantes e o melhor Carnaval de Rua do Brasil, é uma cidade que apresenta atualmente desafios sociais e urbanos relevantes.

À beira do mar, entre igrejas e sobrados, conventos, bordada de coqueiros e frutas-pães, nas suas colinas que marcam a sua geografia, vê-se uma cidade de beleza impar. “Coqueiros, árvore símbolo de Olinda, porque os coqueiros morrem de pé”.

Incendiada pelo invasor holandês, Olinda acende um fogo maior: o da resistência.
Olinda, é só desejo, no dizer do poeta Carlos Pena Filho, que completa: “Ninguém diz: é lá que eu moro. Diz somente: é lá que eu vejo.”

Está esculpido na pedra do mosteiro de São Bento o lema beneditino: ora e labora. Uma cidade repleta de igrejas, templos, terreiros, de um povo que sonha, cria, trabalha e que tem muita fé.

A parte essa riqueza histórica, cultural, natural, Olinda é uma cidade de muitos desafios. O maior desafio atual é a falta de uma gestão eficaz à frente da prefeitura da cidade.

Olinda merece e pode muito mais. Falta um moderno modelo de gestão, de uma máquina enxuta, eficiente, para sobrar recursos para os investimentos em áreas estratégicas, como nos morros, com vítimas fatais constantes, ante as chuvas, infelizmente. Faltam investimentos em saúde e educação e na organização do turismo da cidade e no seu grande capital em economia criativa.

Assim como Recife tem o Porto Digital, um cluster de empresas de tecnologia, de relevo internacional, iremos transformar a grande força criativa de Olinda, nas artes plásticas, do seu Carnaval, da Fliporto que está voltando, da criatividade do seu povo, em Olinda, Porto das Artes. Faremos incentivos fiscais e de infraestrutura para atrair empresas e investimentos, com mais economia criativa e turismo, para transformar Olinda na Capital Criativa do Nordeste, gerando emprego, renda e agregando valor.

Esses desafios de caráter social, político e urbano me motivam ainda mais a lutar por essa cidade a voltar a crescer, de forma mais democrática e inclusiva, tirando Olinda da rota dessas dificuldades, colocando Olinda no rumo certo, melhorando a vida dos olindenses e mantendo vivo o símbolo da resistência, que Olinda sempre representou.

Antônio Campos
Advogado, escritor e Membro da Academia Pernambucana de Letras.