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ARTIGO: A imaturidade que carregamos pela vida afora - Por Edinázio Vieira

"Esse mundo que vivemos está cada vez mais distantes do humano", diz colunista.

Artigo do colunista Edinázio Vieira. Foto: Portal de Prefeitura
Artigo do colunista Edinázio Vieira. Foto: Portal de Prefeitura

Ser imaturo é agir infantilmente, é ter a necessidade de se afirmar. Esse é o conceito clássico, contudo, podemos enumerar várias atitudes realizadas por pessoas imaturas e pelas pessoas classificadas como “maduras”. Quem nunca agiu por impulso que atire a primeira “pedra”.

Dominar os impulsos é uma ação da ordem da impossibilidade, isso ocorre no inconsciente. A mente consciente e a mente inconsciente têm gerado conflitos para todos, nessa estrada não há iluminação, por isso todos humanos tropeçam, pois andamos na escuridão.

Freud, o pai da psicanálise, aponta que temos percentuais que ultrapassam os 90% do inconsciente, somos um “brinquedo” dominado totalmente pelo inconsciente. Então, você ainda se acha dono de si, maduro e o todo poderoso? Se acha maduro o suficiente?

Esses princípios analíticos retiram todas as capas que usamos para encobrir a nossa insegurança, desmascaram os valentões, os machões e os “bambambãs”. Pessoas que pilotam corporações empresariais, generais de guerra ou dirigentes das nações temem diante de situações adversas.

O psicoterapeuta Ivan Capelatto, nos conduz a gestação emocional dos humanos. Nas suas obras literárias introduz dois úteros. O intrauterino é onde somos gerados e também é o local no qual surgem as emoções, esse útero biológico tem prazo de validade e coloca para fora o bebê que foi gerado. A partir desse momento, ocorre a separação dos corpos e o primeiro luto que nunca será elaborado, a raiz da imaturidade humana. O segundo útero, idealizado por Capelatto, é subjetivo, o materno, a criação do bebê. É nesse ambiente onde há uma dependência de tudo, semelhante a dependência intrauterina, entretanto, esse “útero” criará algumas dependências, entre elas a emocional, como esse “útero” não é biológico, é idealizado, aprisiona o humano, ele não despeja o inquilino, acolhe, causando assim dependência permanente, é comum observar pessoas dependentes dos pais a vida inteira e, após a morte dos pais, essas pessoas desabam e buscam próteses, vícios ou se agarram a adoções de animais.

Analisando as obras de Françoise Dolto, enveredo pela conceituação que os pais são responsáveis pela nossa imaturidade, ela diz que seriam necessários 50 anos para os pais serem instruídos para tal ofício, Klein diz que o conceito do mundo está na relação que o bebê adquire com os seios maternos. Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, afirma que os pais devem ser suficientemente bons para suprir as angústias.

Esse mundo que vivemos está cada vez mais distantes do humano. Hoje, a chupeta infantil, aquela que substituía os seios maternos, onde a criança fantasiava, mordia, destruía e o possuía, está sendo substituído por um smartphone, por uma tela, esse bebê nada cria, é guiado por uma fantasia introduzido por alguém.

Somos imaturos porque estamos perdidos, o futuro pertence a uma geração deformada psiquicamente. Gente com a alma artificial, completamente programada, essa é a marca da besta que o livro de apocalipse alerta, quem não está fazendo uso disso já morreu ou está sendo seduzido.

Edinázio Vieira e Silva é um bacharel em Teologia e um Psicanalista Clínico, com títulos de Mestre e Doutor em Ciência da Educação, com ênfase em psicanálise. Ele é o criador do programa Pró-Emoções, que se dedica à promoção do crescimento pessoal e à transformação do comportamento individual. Além disso, ele também é o fundador da Academia do Cérebro, uma instituição que atua há mais de 15 anos oferecendo consultoria e capacitação na área da saúde mental.