A Âmbar Energia, empresa dos irmãos Batistas, Joesley e Wesley, adquiriu 12 usinas térmicas da Eletrobras na região amazônica por R$ 4,7 bilhões no último dia 10 de junho.

Continua após a publicidade:

A transação, porém, levanta questões sobre possíveis “coincidências” favoráveis aos novos proprietários.

📲 Entre no nosso grupo de WhatsApp e receba as notícias do Portal de Prefeitura no seu celular

Contexto da venda

As usinas estavam à venda desde julho de 2023, enfrentando dificuldades financeiras devido à inadimplência da principal cliente, a distribuidora Amazonas Energia, que acumulava uma dívida de R$ 9 bilhões. Essa dívida aumentava em R$ 150 milhões mensais.

Intervenção governamental

Dois dias após a compra das usinas pelos irmãos Batista, uma Medida Provisória (MP) do governo Lula transferiu os R$ 150 milhões mensais dos custos das usinas para as contas de luz dos consumidores brasileiros, eliminando o risco financeiro para a Âmbar.

Além disso, a MP deu um prazo de 60 dias para que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) encontrasse uma solução para a Amazonas Energia, evitando que a concessão fosse devolvida à União e resultasse em prejuízos anuais de até R$ 4,7 bilhões.

Benefícios para a Âmbar Energia

O contrato de compra das térmicas também permite que a Âmbar converta a dívida de R$ 9 bilhões em participação societária da Eletrobras, caso adquira a Amazonas Energia. Isso posicionaria a Âmbar de forma vantajosa para dominar o fornecimento de energia na Região Norte.

Histórico de benefícios governamentais

Não é a primeira vez que os irmãos Batista se beneficiam em negócios com o governo. Em setembro do ano passado, a Âmbar comprou a usina Candiota da Eletrobras, um ativo problemático.

Continua após a publicidade:

Quinze dias após a aquisição, um Projeto de Lei na Câmara prorrogou a autorização de funcionamento da usina por mais 15 anos e a incluiu no Programa de Transição Energética Justa. Isso redistribuiu novamente os custos nas contas de luz dos consumidores, com a justificativa de preservar empregos na indústria de carvão.