Um advogado do Ceará entrou com uma ação na Justiça contra o pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), cobrando pouco mais de R$ 51 milhões por uma promessa feita pelo empresário e coach durante uma entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, em março deste ano. Marçal disse, ao vivo, que pagaria US$ 1 milhão para a pessoa que encontrasse algum processo movido por ele “contra alguém” por “qualquer coisa”.

O advogado César Crisóstomo disse na inicial da ação ter encontrado ao menos 10 processos movidos por Marçal nos últimos anos, o que inclui um habeas corpus, instrumento processual. Procurado, o empresário não comentou sobre o assunto até o fechamento deste texto, com a reportagem deixando espaço aberto para manifestação.

Ao Estadão, o advogado afirmou ter tentado contato com Marçal para fazer a cobrança.

Crisóstomo dirigia seu carro enquanto ouvia o rádio e, aos se deparar com a promessa de Marçal, resolveu fazer as buscas pelos tribunais do País.

Ao Pânico, Marçal afirmou que não tinha processos movidos por ele contra ninguém.

Depois, citou pessoas jurídicas também.

Na ação, o advogado citou processos movidos por Marçal contra veículos de comunicação, como Band e RBS. Há ainda citação também de ações contra Marco Vargas e Eurípedes Gomes, que foi presidente do PROS.

De acordo com os autos, o advogado enviou quatro e-mails para equipe de Marçal. Nos três últimos, ele teve como resposta um pedido para que aguardasse avaliação do setor jurídico do empresário.

Ele também enviou duas notificações pelos Correios que, segundo dados de rastreamento, foram entregues na sede da empresa de Marçal.

A inicial do processo está na 2ª Vara Cível de Barueri, na Grande São Paulo, e foi protocolada no dia 23 de abril.

Pré-candidato em São Paulo após reviravolta no PRTB

No início de abril, o PRTB resolveu trocar a pré-candidatura de Padre Kelmon pela de Pablo Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024.

Em 2022, o coach, dono de um patrimônio milionário, tentou ser candidato a presidente, mas acabou disputando uma vaga de deputado federal depois que o seu antigo partido, o PROS, hoje incorporado ao Solidariedade, decidiu apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marçal então declarou apoio a Jair Bolsonaro, atuou na campanha digital do ex-presidente e obteve votos suficientes para conquistar uma cadeira na Câmara, mas não assumiu o cargo ao ter a candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral ainda naquele ano.

A disputa também rendeu ao influenciador uma investigação da Polícia Federal, que suspeitava do direcionamento de verba eleitoral para empresas próprias.

Ele nega qualquer ato ilícito.

Estadão Conteúdo