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Haddad garante que Brasil está focado em negociar e descarta retaliação aos EUA

A declaração do ministro da Fazenda foi dada após a taxação de 25% sobre o aço e o alumínio pelos EUA entrar em vigor.

Cami Cardoso

12 de março de 2025 às 18:51   - Atualizado às 19:06

Haddad descarta retaliação aos EUA e diz que Brasil quer negociar

Haddad descarta retaliação aos EUA e diz que Brasil quer negociar Foto: Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira, 12 de março, que a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de negociar, e não retaliar, em um primeiro momento. A taxação de 25% sobre o aço e o alumínio imposta pelos Estados Unidos afeta as exportações da indústria nacional.

“O presidente Lula falou ‘muita calma nessa hora’. Já negociamos outras vezes em condições até muito mais desfavoráveis do que essa”, disse o ministro a jornalistas. Ele falou após reunião com representantes do setor da indústria do aço brasileiro; além disso, o grupo apresentou um relatório com argumentos para a negociação.

De acordo com Haddad, os empresários “trouxeram argumentos muito consistentes de que [a taxação] não é bom negócio sequer para os norte-americanos”. 

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O ministro não entrou em mais detalhes sobre as propostas de negociação apresentadas pelo setor do aço. No entanto, afirmou apenas que o relatório servirá de subsídio para as negociações planejadas pelo Ministério do Desenvolvimento.

“Vamos levar para a consideração do governo americano que há um equívoco de diagnóstico”, disse Haddad, para quem os argumentos apresentados pelas siderúrgicas são “muito consistentes”.

A taxação de 25% sobre o aço e o alumínio pelos EUA entrou em vigor nesta quarta-feira, 12 de março. Isso ocorreu após ter sido confirmada no dia anterior pelo governo estadounidense. A medida afeta diretamente a exportações brasileiras.

Os EUA são um dos maiores compradores do aço brasileiro. Segundo dados do Instituto Aço Brasil, em 2022, os EUA compraram 49% do total do aço exportado pelo país. Em 2024, apenas o Canadá superou o Brasil na venda de aço para o país norte-americano.

“Os Estados Unidos só têm a perder, porque nosso comércio [bilaterial] é muito equilibrado”, afirmou Haddad.

O ministro acrescentou que o setor do aço pediu providências não só em relação às exportações. Também há uma preocupação a respeito das importações, especialmente com a entrada de aço chinês no país.

“No caso das exportações envolve uma negociação, enquanto que no caso da importações envolve uma defesa mais unilateral. Isso pela proposta que eles fizeram”, relatou Haddad.

Segundo o ministro, a Fazenda deverá agora preparar uma nota técnica sobre as propostas das siderúrgicas brasileiras. Essa nota deverá ser enviada ao vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, para orientar as negociações com os EUA.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a taxação sobre aço brasileiro pode ter impacto significativo sobre as siderúrgicas nacionais. Embora não represente grande reflexo para a economia como um todo.

Agência Brasil

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