Deputados federais da Frente Parlamentar de Segurança Pública da Câmara, também conhecida como bancada da bala, criticaram o desfile da escola de samba Vai-Vai por, segundo eles, “demonizar” a polícia.

A escola foi a primeira a desfilar no último sábado, 10, no sambódromo do Anhembi, em São Paulo. A agremiação levou o enredo “Capítulo 4, versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano”.

Uma das alas era composta por pessoas fantasiadas de policiais do batalhão de choque. Eles usavam chifres e asas vermelho-alaranjadas, fazendo alusão a demônios.

“A que ponto chegamos?”, questionou o deputado Alberto Fraga (PL-DF), presidente da bancada da bala e 1º vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da Casa.

O rap brasileiro tem origem nas periferias de São Paulo, em grupos mais afetados pela violência policial.

Essa arte de rua é historicamente marginalizada por estar inserida numa agenda da população negra.

Não é raro, ainda hoje, ver notícias sobre repressões, inclusive por meio do aparato policial, a esses grupos artísticos.

Um dos expoentes do rap brasileiro é o cantor e compositor Mano Brown, nome à frente do Racionais MC’s e que desfilou pela escola de samba Vai-Vai neste ano.

O deputado Sargento Gonçalves (PL-RN), que também faz parte da bancada, criticou o desfile, afirmando que torce para o rebaixamento da escola de samba.

Pré-candidato a prefeito de São Paulo, o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) disse que a agremiação recheou seu desfile de “bandidolatria” e aproveitou para atacar um de seus adversários nesta próxima campanha, o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Boulos também desfilou pela escola de samba Vai-Vai e afirmou que o enredo em homenagem ao rap nacional foi “histórico”.

O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, foi outra autoridade que participou do desfile da escola paulista.

No X (antigo Twitter), ele relembrou que seu avô paterno, Lorito, foi um dos fundadores da agremiação.

Estadão Conteúdo