Manifestações

Ato contra o presidente Bolsonaro em São Paulo reúne Ciro Gomes, Doria, Mandetta, Amôedo e Joice Hasselmann

O MBL, que declarou apoio a Bolsonaro durante o segundo turno das eleições de 2018, passou a fazer oposição ao governo ainda em 2019.

Convocado e organizado massivamente por movimentos liberais, o ato pedindo a saída do presidente Jair Bolsonaro, realizado no domingo, 12 de setembro, em São Paulo, reuniu nomes como os ex-candidatos à presidência em 2018 Ciro Gomes (PDT) e João Amoêdo (Novo), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e a deputada federal Joice Hasselmann.

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Para Ciro Gomes, que foi o primeiro a ter a palavra durante o ato, “a união no evento se deu pela preocupação do povo em parar a ameaça da morte da democracia”. Ciro destacou ainda o aumento do desemprego e as mortes causadas pela Covid-19 como motivos para a necessidade de manifestações em defesa dos brasileiros.

“É claro que temos olhares diferentes sobre o futuro do Brasil, mas o que nos reúne, e é o que deve reunir toda a nação civicamente sadia, é a ameaça da morte da democracia e do poder da nação brasileira. O povo brasileiro está levantando a mais poderosa das espadas, que é a espada da união contra a ditadura”, afirmou.

Pelo fato de ser de um partido de esquerda, Ciro viu a necessidade esclarecer sobre a sua decisão de participar do ato. O pedetista disse que compareceu à manifestação “pelo respeito à democracia” e que, apesar de seu partido e o MBL lutarem por coisas diferentes, a “luta para evitar a morte da democracia” deveria ocupar um papel maior.

O MBL, que declarou apoio a Bolsonaro durante o segundo turno das eleições de 2018, passou a fazer oposição ao governo ainda em 2019. Desde então, o movimento tem feito críticas às propostas do presidente para a economia, para o combate à corrupção e às tentativas de Bolsonaro de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

O governador Doria focou seu discurso nas questões econômicas no país e disse que  é difícil o Brasil voltar a ter um “nível aceitável de investimentos” com Bolsonaro no poder.

“Somos um país isolado atualmente. O Brasil perdeu seus principais aliados, a China, a Argentina, a Alemanha, os Estados Unidos, agredindo os dirigentes públicos ao em vez de agregar. E também é um país esquecido”, afirmou.

Segundo Doria, “com impeachment ou sem impeachment”, o país deve caminhar “pela democracia”. “Se o Bolsonaro não sofrer o impeachment, ele irá ser derrotado nas eleições de 2022”, afirmou. O governador de São Paulo acrescentou ainda que “ficará no PSDB quem for contrário ao governo do presidente”.

O ex-ministro Mandetta adotou um discurso voltado ao combate à pandemia da Covid-19. Ele citou uma passagem em que diz ter alertado o presidente sobre a doença e afirmou que Bolsonaro teria respondido que “só vai morrer quem tem que morrer”.

Em um discurso de quase cinco minutos, Amoêdo, do Novo, afirmou que “quer as cores do Brasil de volta, que são as cores do Brasil, e não do Bolsonaro”. Segundo o ex-candidato à presidência pelo partido Novo, “é importante estar em um evento com pessoas que pensam diferente uma das outras”.

“É esse o Brasil que a gente quer viver e deixar para nossos filhos e netos, é isso que está em jogo, um Brasil onde cada um pode dizer sua opinião, um país sem corrupção, sem rachadinha”, afirmou.

Amoêdo também elogiou as pessoas que participaram do ato, afirmando que “o impeachment de Bolsonaro é o que os une e o que deve ser feito”. “O trabalho não é fácil e a mudança depende de cada um de nós. Não vai ser simples, mas é o certo”, acrescentou o político. “Temos que fazer essa mudança. Queremos um Brasil com esperança, sem medo e sem raiva.”

Já a deputada federal Joice Hasselmann defendeu a construção da chamada terceira via para 2022. “Lula é contra o impeachment. Ele precisa do Bolsonaro. Um só tem chance concorrendo com outro. É natural.”

A parlamentar também fez uma comparação com as manifestações contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

“Não temos ‘bolsa manifestação’. No 7 de Setembro, vimos gente financiando. Os que estão aqui vieram de graça. É um excepcional começo. Vamos repetir como foi feito com a Dilma”, disse a O Antagonista.

 

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