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PT investe em reaproximação com evangélicos; saiba quem são “os pastores de Lula”

O ex-presidente tem se dedicado a buscar pastores para tentar desfazer resistências e reverter a quase hegemonia de Bolsonaro dentro desse grupo.

O Partido dos Trabalhadores (PT) busca, desde a vitória de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad (PT-SP), em 2018, se reaproximar do mundo evangélico, o que seria crucial para qualquer projeto que o partido viesse a propor em eleições.

Após recuperar seus direitos políticos e em franca campanha para voltar à Presidência da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e figuras importantes do partido têm se dedicado a buscar pastores para tentar desfazer resistências e reverter a quase hegemonia de Bolsonaro dentro desse grupo.

Sob a liderança da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), o partido fundou um núcleo específico para tratar do assunto: o Evangélicos do PT (Nept). O trabalho tem sido feito no sentido de retomar o diálogo perdido com essa parcela, sobretudo na periferia das grandes cidades.

De acordo com Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula, o reencontro com evangélicos é considerado “fundamental” para a estratégia de retomada da periferia.

“É um front que nós consideramos extremamente importante, e temos estimulado muito o nosso pessoal, sobretudo nos estados, a fazer um contato com as igrejas. Isso está sendo feito menos nas cúpulas e mais na base, direto com pastores ou com organizadores regionais dos grupos evangélicos. A gente tem consciência de que esse diálogo é fundamental, sobretudo para o trabalho nas periferias, onde a presença evangélica é muito forte”, destacou o ex-ministro.

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Cortesias

O ex-presidente usou parte da agenda para se encontrar com líderes evangélicos. No Rio de Janeiro, Lula esteve com o bispo Manoel Ferreira, líder da Assembleia de Deus de Madureira, bolsonarista declarado desde as eleições de 2018.

Antes, o bispo foi aliado do governo Lula e apoiador da reeleição de Dilma Rousseff, em 2014. O encontro foi combinado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT), e realizado em um sítio de sua propriedade.

Aliados de Bolsonaro encararam o episódio como “visita de cortesia” e lembraram que o pastor tem “gratidão” ao ex-presidente, devido a uma lei sancionada em 2003, que deu personalidade jurídica própria às igrejas.

Na Bahia, foi a vez de Lula se encontrar com Pastor Sargento Isidório (Avante), deputado federal mais votado no estado em 2018, com 323 mil votos, e que já se encontra plenamente engajado na defesa da eleição do ex-presidente e na divulgação do apoio de Lula ao seu nome, usando sua inseparável Bíblia.

PT investe em reaproximação com evangélicos; saiba quem são “os pastores de Lula”
PT investe em reaproximação com evangélicos; saiba quem são “os pastores de Lula”. Foto: Divulgação

Contrariando o público forte defensor do ex-presidente Lula, Isidório é defensor convicto da “cura gay” e se mostra como exemplo de que ela existe, se autoproclamando “ex-gay”. No Congresso, ele é autor de um projeto para criar o “Dia do Orgulho Hétero” e transformar a Bíblia em “Patrimônio Nacional, Cultural e Imaterial do Brasil e da Humanidade”.

Igrejas autônomas

O pastor Ariovaldo Ramos, coordenador da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, é um apoiador do ex-presidente e chegou a visitá-lo na prisão em Curitiba. Ele avalia que, para entrar novamente na periferia das grandes cidades, necessariamente o PT terá que buscar os evangélicos. “Não há dúvida nenhuma desse interesse, inclusive já foi mostrado e dito pelo próprio Lula”, enfatiza.

“Se quer voltar a falar com a periferia, é preciso que o PT saiba que ela não está mais vazia, está ocupada. E está ocupada pelos evangélicos, majoritariamente”, aponta o pastor, que não descarta uma possível filiação ao PT.

O pastor aponta que já observa um refluxo do apoio de evangélicos a Bolsonaro, motivado principalmente pelos problemas na gestão da pandemia da Covid-19.

“No início, a gente percebia um apoio maciço ao governo Bolsonaro. Isso diminuiu bastante. Tanto é que nessa nova convocação que os pastores estão fazendo para as manifestações antidemocráticas do dia 7 de setembro, já se percebe que muitas igrejas que antes eram descaradamente apoiadoras do presidente não estão mais lá”, destaca, citando a ausência de chamados dos líderes das convenções mais importantes da Assembleia de Deus (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB e a Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira -Conamad), além das históricas Batista e do Evangelho Quadrangular.

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