Argumento

Dilma diz que Bolsonaro tenta dar “golpe dentro do golpe”; impeachment da ex-presidente completa 5 anos nesta terça-feira (31)

Na visão da petista, o cenário atual teve início com o enfraquecimento da democracia causado pelo seu afastamento do Planalto em 2016.

Completando nesta terça-feira, 31 de agosto, cinco anos do impeachment, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) avalia que a crise política que o Brasil vive durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um desdobramento do seu processo de impeachment. Em entrevista à Focus Brasil – publicação da Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT—, divulgada na segunda-feira, 30 de agosto, a petista afirmou que o atual governo é um “golpe dentro do golpe“.

Na visão de Dilma, o cenário atual teve início com o enfraquecimento da democracia causado pelo seu afastamento do Planalto, em 31 de agosto de 2016, quando o seu impeachment foi aprovado no Senado.

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“O golpe não foi brando. Não foi nada brando. E, lembre-se, o golpe vem em etapas. É um processo”, disse ela. “O Golpe de 2016 é o ato zero do golpe, é o ato inaugural, mas o processo continua. É o pecado original dessa crise que o país atravessa. É a partir dali que se desenrola todo o processo golpista”, completou.

A ex-presidente compara o seu impedimento com um golpe militar. Na visão dela, em 2016, “houve um golpe parlamentar, judiciário e midiático. Mas, sobretudo, um golpe do setor financeiro, do capitalismo financeirizado. Um golpe neoliberal. Não houve uma intervenção clássica militar, mas uma manipulação das regras legais”, explicou. “Ali aconteceu uma ruptura violenta contra o status quo da democracia.”

Segundo ela, o processo de militarização da política é anterior a Bolsonaro. “Lembra que no governo Temer, deram uma importância grande aos militares, voltando a ter o GSI —entregue ao general Sérgio Etchegoyen—, levando um militar para dirigir o Ministério da Defesa? Isso nunca tinha acontecido. Entregar o Ministério da Defesa a um militar.”

Dilma cita ainda a intervenção federal no Rio de Janeiro, realizada também durante o governo de Michel Temer (MDB). “É uma marca inequívoca da volta dos militares à política.”

Para a petista, como em 1964, “o golpe se recusa a ser chamado de golpe, desde o primeiro momento“. Ela cita que deputados e senadores entraram com ações no STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir que a sua destituição fosse chamada de golpe. De acordo com Dilma, as medidas econômicas aplicadas desde então “comprometeram a soberania nacional” e “vão levar à volta da pobreza no Brasil e à volta do desemprego“

“O golpe permitiu 2 crimes imediatos contra o país: o teto dos gastos, que tirou o povo do orçamento, afetando os programas sociais e os investimentos; e a destruição da Amazônia.” A petista critica o que ela chama de “esquartejamento da Petrobras“, em referência à política de preços aplicada pela estatal, e de “absurdo da Eletrobras“, em referência à privatização da empresa de energia, mencionando a crise energética que o país enfrenta consequência.

“Corremos um imenso risco de racionamento, apagão, e já estão em prática as mais altas taxas e tarifas de energia elétrica. E isso tudo para não falarmos no que está acontecendo com a política de preços da Petrobrás, hoje inteiramente atrelada ao mercado internacional de petróleo e aos interesses financeiros. É isso que leva o gás de cozinha a R$ 120 o botijão, o esquartejamento da Petrobrás que permitiu isso. Ela foi criada para ser uma empresa integrada de energia, verticalizada, do poço de petróleo ao poste, à bomba de gasolina.”

Segundo Dilma, a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022 será o 1º passo rumo à reconstrução do Brasil, que não será fácil.

“Vai haver muita dificuldade. Na área ambiental, por exemplo, alguns efeitos da política de devastação promovida podem ser permanentes. Não sei… o que houve de deterioração, por exemplo, quanto às reservas indígenas, é preocupante. Eu estou preocupada.”

Da redação do Portal de Prefeitura com informações do Poder 360. 

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