Crítica

‘Talvez achem desagradável ver sentado na cadeira ao lado alguém que lhe prendeu’, diz Patrícia Domingos sobre proposta que proíbe membros da segurança pública disputarem eleições

Foi estabelecida uma quarentena de cinco anos após deixarem os cargos para policiais, juízes, promotores e demais integrante da segurança pública se candidatarem.

delegada Patrícia Domingos (Podemos), ex-candidata a prefeita do Recife, criticou uma mudança introduzida de última hora no texto do novo Código Eleitoral que estabelece uma quarentena de cinco anos após deixarem os cargos para policiais, juízes, promotores e membros da segurança pública se candidatarem em eleições. Por esse critério, Patrícia Domingos não poderia disputar a eleição em 2022, embora ela ainda não tenha anunciado que cargo pretende disputar no ano que vem.

O texto abre uma exceção para integrantes dessas carreiras que já estejam no exercício de mandatos. O texto ainda precisa ser aprovado por deputados e senadores para entrar em vigor.

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“A cara de pau de alguns parlamentares é surpreendente. Super pró ativos pra impedir, a toque de caixa, a candidatura de agentes de segurança pública e magistrados e sem o menor pudor de até hoje manterem engavetadas as votações sobre o fim do foro privilegiado, as mordomias parlamentares e a prisão em segunda instância”, disparou Patrícia Domingos.

A ex-candidata, que já foi titular da extinta Delegacia de Polícia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (DECASP), disse ainda que talvez alguns não se sintam ‘bem’ com a presença dos membros da segurança pública ocupando espaços na política.

“Talvez alguns ali achem desagradável um dia ver sentado na cadeira ao lado alguém que já lhe prendeu ou processou, mas certamente a população iria aplaudir de pé”, argumentou a delegada.

A pressão para que esse ponto fosse incluído no texto veio de vários partidos de centro. O parecer foi protocolado na quarta-feira (25) pela relatora, deputada Margarete Coelho (PP-PI).

O projeto de lei complementar, que reúne 371 páginas e traz 905 artigos que atingem a legislação eleitoral, já havia provocado controvérsia por conta de outros pontos, ao esvaziar as competências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), permitir a contratação de auditorias privadas para analisar a prestação de contas de candidatos — e impedir que plataformas digitais excluam as contas de candidatos durante o período de campanha.

 

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