Opinião

Lula sobre desfile militar na Esplanada: ‘Jeito Bolsonaro de desgovernar. Foi uma coisa patética’

“Foi uma coisa patética. Se o Bolsonaro queria uma foto com um militar cumprimentando ele, ele poderia ir a um quartel”, disse Lula em entrevista a rádio de Porto Alegre.

O desfile de carros blindados em frente ao Palácio do Planalto, nesta terça-feira (10), em que foi entregue ao presidente Jair Bolsonaro um convite para participar de exercício da Marinha no próximo dia 16, foi descrito pelo ex-presidente Lula como uma cena “patética”, em entrevista à Rádio ABC, do Rio Grande do Sul.

“Receber um convite com um pequeno desfile militar na frente do Palácio do Planalto… Para entregar um convite, o cara pega o avião, desce em Brasília, entrega o convite e acabou. Não precisava inventar um desfile militar. Mas isso é o jeito do Bolsonaro desgovernar o Brasil. É uma pena que seja assim”, disse Lula. “Foi uma coisa patética. Se o Bolsonaro queria uma foto com um militar cumprimentando ele, ele poderia ir a um quartel”, acrescentou adiante.

Lula lamentou que Bolsonaro insista na tentativa de instrumentalizar as Forças Armadas.

“Eu já fui presidente da República, chefe supremo das Forças Armadas. O que acho negativo é você ter um presidente que tenta utilizar as Forças Armadas como se fossem uma marionete, um brinquedo na mão dele. Ele chega a dizer ‘meu Exército’, ‘minhas Forças Armadas’, como se uma instituição tão importante para a defesa do país fosse um objeto particular dele. Isso é muito ruim”, observou Lula.

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“Nunca vou tratá-los assim. Vou sempre tratar com o respeito que eles merecem. Quando presidente, você estabelece uma relação institucional. Num processo eleitoral, os militares são tratados como eleitores. Todos os brasileiros precisam ser tratados como brasileiros normais e comuns e é assim que devemos nos dirigir a eles. Com o mesmo respeito com que trato um trabalhador rural, de uma propriedade de cinco hectares, eu tenho de tratar um general. Nem mais nem menos”, completou Lula.

Perguntado sobre se prepara algum tipo de comunicado aos militares, como foi noticiado por alguns jornalistas, Lula disse que, neste instante, se for se dirigir por meio de carta a alguém será a todo o povo brasileiro, o que inclui os militares.

“Se eu fizer uma carta, vou fazer uma carta para conversar com o povo brasileiro, e dentro do povo brasileiro estão os militares. Ou seja, eu não vou conversar com instituições de Estado porque elas gostam ou não gostam do presidente. Esse não é o papel da instituição. Os militares têm um papel a cumprir, está definido na Constituição, eles têm de defender a soberania nacional, os interesses do povo brasileiro, o povo brasileiro. Se o militar quiser fazer política, ele tira a farda, renuncia ao cargo e se candidata a alguma coisa, não vejo problema nenhum. O que não dá é aproveitar a instituição e fazer política”, analisou.

Problemas reais

Outra questão foi a respeito dos ataques que Bolsonaro tem feito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta de sua defesa ao voto impresso.

“Essa é uma briga que só interessa ao Bolsonaro, para dar sustentação às fake news dele. Eu tenho coisa mais importantes para me preocupar. Nós temos 15 milhões de desempregados, 33 milhões trabalhando na informalidade, 19 milhões passando fome e milhões em processo de segurança alimentar, que não conseguem comer as calorias e as proteínas necessárias. Além disso, estamos quase tendo um apagão de energia elétrica, um desmatamento totalmente descontrolado por conta da irresponsabilidade do governo… Então, eu não vou me preocupar com uma briga que o Bolsonaro cria para poder ocupar espaço na mídia”, disse.

Segundo Lula, Bolsonaro usa sempre a estratégia de criar uma crise para governar.

“É o jeito dele fazer política. Ele inventa a história contra a urna e se esquece de que todas as vezes que foi eleito, foi eleito pela urna eletrônica, que seus filhos foram eleitos pela urna eletrônica. Esse cidadão, em vez de ir a um hospital visitar um doente que está com Covid, em vez de visitar um parente de algum vítima, em vez de comprar vacina de forma adequada, ele fica inventando mentira todo dia, arrumando pretexto para brigar com alguém, porque precisa disso para sobreviver.”

Da redação do Portal com informações do Partido dos Trabalhadores

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