Iniciativa

Prefeitura do Recife lança programa para a distribuição gratuita de absorventes na Rede Municipal de Ensino

Investimentos são da ordem de R$ 1,5 milhão e medida beneficiará 17 mil estudantes. 

O prefeito João Campos (PSB) lançou na última quinta-feira, 8 de julho, o Programa Ciclo de Cuidado, transformando o Recife na primeira capital a adotar a iniciativa. Investimentos da Prefeitura são da ordem de R$ 1,5 milhão e medida beneficiará 17 mil estudantes. 

Dificilmente uma mulher não tem uma história, uma memória, que envolva vergonha, constrangimento ou culpa relacionada à menstruação. Os dados mostram que, no Brasil, uma em cada quatro mulheres já faltou às aulas por não ter condições de comprar absorventes. Como então uma menina que menstrua e não tem absorvente lida com esse tabu na escola, na rua, na vida? De olho na necessidade urgente de cerca de 17 mil estudantes da rede municipal, o prefeito João Campos assinou decreto com a criação do programa Ciclo de Cuidado de combate à pobreza menstrual, na manhã desta quinta (8) . Com o Programa, Recife se torna a primeira capital do país a adotar a medida.

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Prefeito
Prefeito João Campos. Foto: Rodolfo Loepert/ PCR Imagem

“A gente lança hoje o Ciclo de Cuidado, é um projeto do município do Recife para enfrentar a pobreza menstrual na nossa cidade. São 17 mil alunas que serão beneficiadas e R$ 1,5 milhão que serão investidos para a aquisição de absorventes e, mais do que isso, é uma política transversal. Nós vamos fazer capacitação dos professores e professoras para habilitá-los a debater esse tema na escola e garantir que as meninas do Recife, estudantes, terão esse acolhimento por parte da Prefeitura e que a gente possa dar o direito de elas assistirem às aulas. Fazendo isso a gente deve reduzir essa evasão e que a gente possa, com dignidade, quebrar o tabu de discussão desse tema”, explicou o prefeito João Campos no lançamento. Entre as jovens que deixam de frequentar a escola quando menstruadas, cerca de 48% tentaram esconder que este foi o motivo da ausência e 45% acredita que não ter ido à aula devido ao período menstrual impactou negativamente o rendimento escolar.

Prefeitura
Deputada Federal Tabata Amaral. Foto: Rodolfo Loepert/ PCR Imagem

A deputada federal de São Paulo Tábata Amaral que, na Câmara, já propôs projeto para a distribuição gratuita de absorventes em espaços públicos e que tem debatido o tema em diferentes estados do Brasil, também participou do ato.

“Infelizmente a menstruação ainda é um tabu, então muitas pessoas ainda não querem falar sobre isso, mas é um tabu que impacta muito negativamente as meninas. Elas perdem um mês e meio de aula por ano porque estão menstruadas, quando têm que recorrer a miolo de pão ou coisa até pior, o que causa infecções, então é uma questão de saúde, de educação e de dignidade”, disse ela. “Então é muito bonito ver que, quando esse projeto foi apresentado lá na Câmara, houve uma reação muito negativa, com muito preconceito, com muita ofensa, e olha a mudança que a gente está vendo em estados e municípios? Uma capital abraçando essa causa e dizendo que aqui não haverá pobreza menstrual. Então é sobre a dignidade das meninas, sobre o direito de sonhar e eu fico muito esperançosa”, acrescentou.

Os investimentos anuais de R$ 1,5 milhão vão beneficiar cerca de 17 mil estudantes da rede municipal em situação de mais vulnerabilidade social e econômica. “No evento de hoje, de lançamento do programa, o prefeito assinou o decreto de lançamento do Ciclo de Cuidado e também lançou o edital de licitação para a aquisição de absorventes, então agora é só concluir o processo, receber e ao longo do mês de agosto já começaremos a distribuição para todas as escolas da Rede Municipal do Recife. Também haverá formação para os professores e com as equipes das escolas para darem apoio às meninas. É um programa que tem um olhar para o bem estar, para a dignidade, para a saúde”, ressaltou o secretário de Educação do Recife, Fred Amancio.

De acordo com dados coletados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância e Adolescência (Unicef), a menarca, que compreende o primeiro ciclo menstrual, de 90% das brasileiras ocorre em média no intervalo entre 11 e 15 anos de idade. Por isso, a Secretaria de Educação usou os 10 anos como idade mínima de referência para calcular o quantitativo das estudantes que serão beneficiadas com a distribuição dos absorventes descartáveis nas unidades escolares da Rede Municipal de Ensino do Recife.

Além do objetivo principal de combate à  precariedade menstrual das estudantes, o  Programa Ciclo de Cuidado também visa também reduzir as ausências em dias letivos destas estudantes durante todo o período menstrual e, consequentemente, evitar prejuízos à aprendizagem e ao rendimento escolar. Portanto, os absorventes, além de essenciais, passam a ser também produtos aliados à criação de melhores condições para que as estudantes desenvolvam suas atividades na escola com saúde e segurança.

“O Ciclo de Cuidado traz uma discussão que dificilmente uma mulher ou uma menina vai levantar. O maior constrangimento que uma mulher pode passar é sujar uma roupa, é que desconfiem que ela está menstruada. Dignidade menstrual não é apenas o absorvente, é trazer à tona a pauta da sexualidade, do controle sobre seu corpo, o conhecimento liberta e a nós mulheres até isso nos foi tirado”, comentou a vice-prefeita Isabella de Roldão durante o evento.

Além da distribuição dos absorventes nas escolas durante o ano, o Programa Ciclo de Cuidado trabalhará grandes eixos de formação com foco em Educação Menstrual para os profissionais da educação, abordando questões sociais, biológicas, emocionais e ambientais. Com isso, os profissionais das escolas poderão dar mais apoio para as alunas. O programa prevê ainda protocolos de atendimento e acolhimento às estudantes em parceria com as Secretarias de Saúde e da Mulher, bem como a produção de materiais informativos para estudantes, profissionais e pais ou responsáveis. “Vamos trabalhar buscando apoio da rede de saúde pública e com a participação de profissionais capacitados, vamos promover também rodas de conversa sobre saúde menstrual e autocuidado. Queremos um programa que vá além da distribuição dos produtos de higiene íntima, mas que dê suporte com orientação para a saúde, bem estar e dignidade das estudantes”, pontua Amancio.

Segundo Ana Carolina Ferreira, 14 anos, estudante do 9º ano da Escola Municipal São Cristóvão, no Brejo da Guabiraba,  o programa vai ajudar as meninas de toda a rede. “Tem muitas garotas que se sentem muito tristes porque passam dificuldades e não têm condições de comprar as coisas dentro de casa, e aí nem sempre sobra dinheiro para absorventes. É muito importante esse projeto porque vai ajudar muito mesmo. Minha mãe sempre compra absorventes, mas às vezes a gente precisa de mais, então é bom ter o apoio e que a escola possa doar. A gente sente que vai poder conversar mais com os diretores sobre isso. Eu já vi as meninas ficarem um pouco tristes por menstruarem e ficarem sem saber o que fazer por não terem absorvente. O que eu podia dar, eu dava, mas às vezes a gente não tem tanto nem para a gente, então vai ajudar as pessoas como?”, refletiu Ana Carolina.

Para a gestora da São Cristóvão, Maria José Lopes, o Ciclo de Cuidado vai ser muito bem vindo nas unidades de educação. “Esse projeto é muito importante, pois na realidade que vemos hoje, as meninas não tem condições de comprar absorventes e muitas vezes têm vergonha de pedir na escola. Então muitas vezes elas faltam, o que acaba prejudicando o rendimento escolar delas. Esse projeto não é só dar o absorvente, mas também trabalhar a questão da menstruação como algo natural, que começa na puberdade  e segue até o final do período fértil. O absorvente é uma necessidade de saúde pública”, esclareceu.

Da redação do Portal de Prefeitura com informações da PCR

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