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Artigo: Não peça desculpas pelos valores nos quais acredita

A democracia é linda pelo fato de abarcar a diversidade. Espero que, algum dia, os que se identificam com algum tipo de minoria entendam algo de vez. Eles não precisam privatizar toda opinião alheia para serem felizes.

A comunicabilidade presente nos espaços  sociais da convivência democrática está mudando. Sofreu, em instâncias demasiadas, a privatização do discernimento de certas políticas ideológicas. Você percebeu também?

O antigo desejo de mundo ideal, onde o cuidado com a ecologia e o respeito ao próximo orientariam as relações humanas, não se concretizou. Hoje, nascer com certa cor de pele ou compreensão sobre orientação sexual virou sinônimo de minoria opressora.

Isso tudo não lembra a você aquele manifesto dos proletariado contra a burguesia? Alguém reestruturou a aparência do Socialismo, mas deixou a essência intacta.

O entendimento comunista oferece ao mundo uma visão política diferente. Penso ser absolutamente válido que qualquer pessoa o retenha como padrão de sociedade ideal. No entanto, discordo radicalmente daqueles que, para refutar os outros, atacam a índole e a inteligência de quem pensa diferente.

A troco de fazer-se adepto da ideologia política adequada, indivíduos tem entrado em faculdades e feito um desserviço à educação. Usam suas matérias como plataforma de candente contestação de valores como religião, família e sexualidade. E ficam nisso.

Jovens tem tido o futuro profissional roubado porque não aprendem conteúdos próprios de sua formação. Classes inteiras consomem tempo incomum em debates cujo objetivo é desconstruir crenças morais que adolescentes troxeram de casa. Ensinar a pensar cientificamente é meta de pouquíssimos acadêmicos.

A título de exemplo, lembro-me de que, certa feita, numa sala de aula, um moço argumentou que não era bissexual. O professor, alto, corpulento e com o dedo em riste, avançou para o aluno.

Horrorizou-me a possibilidade de ver uma agressão física ser consumada ali. Era o que as circunstâncias imediatas nos levavam a imaginar.

O mestre olhou desafiadoramente para o jovem e perguntou a religião daquele. Ao ouvir que era a Católica, passou a destruir “cientificamente” a fé do rapaz. Pasmem: isso se deu numa universidade federal!

Aqui temos um fato ocorrido no âmbito universitário. Contudo, esta não é a única esfera de contínuo e flagrante desrespeito coletivo àqueles que prezam por valores distintos.

Creio que, ao invés de quase que pedir desculpas pelo que você acredita, esse é o tempo de defender o que você pensa. É preciso pedir respeito às opiniões que temos. O respeito deve ser a tônica de todas as relações humanas.

Não acredito que devamos oprimir os outros, obrigando todo mundo a pensar como nós. Não acredito na veemência do ataque verbal, e menos ainda, do físico.

Acredito muito na força que a paz promove. Todavia, defender-se diante de ataques gratuitos a posicionamentos morais ou religiosos não é errado. É, não poucas vezes, necessário.

Esse país não criminalizou frontalmente a Bíblia, mas todos os dias atenta contra o que ela diz. Se você crê no que o Cristianismo fala, e respeita quem não professa sua fé, por que precisa submeter-se servilmente à zombaria alheia?

Porque precisa aceitar que chamem você de menos inteligente que outros indivíduos? Por que tem que se acostumar com manifestações culturais que, a pretexto de atualizar mensagens bíblicas, enxovalham símbolos de sua fé?

Não me movo aqui a favor de algum tipo de guerra santa. Longe de mim tão intuito. Não obstante, sempre convivi com mentalidades radicalmente distintas da minha, sem problema algum.

Nunca precisei pedir desculpas por pensar diferente. Porém, se for instigada ou constrangida a pedir perdão por valores que defendo … não o farei. E aconselho vocês, leitores, a fazerem o mesmo.

A democracia é linda pelo fato de abarcar a diversidade. Espero que, algum dia, os que se identificam com algum tipo de minoria entendam algo de vez. Eles não precisam privatizar toda opinião alheia para serem felizes.

A meu ver, o mundo não precisa de leis cada vez mais individualizadas. Precisamos é ver o cumprimento das tantas que já temos. E, aliado a isso, precisamos daquele respeito que enxerga no outro, não uma opinião dissonante, e sim, um outro ser humano que também quer ser feliz.

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