Questionamento

Grupo LGBTQIA+ entra na Justiça contra CBF e pede explicações sobre falta da camisa 24 na Seleção brasileira

Juiz determina resposta da entidade máxima do futebol no Brasil em até 48 horas e aplica multa diária de R$ 800 reais, caso não apresente posicionamento.

O Grupo Arco Íris de Cidadania, organização sem fins lucrativos que atua há mais de 25 anos em defesa e promoção dos direitos da população LGBTQIA+, entrou com uma ação judicial na última segunda-feira, 28 de junho, questionando a ausência do número 24 entre os convocados disputam a Copa América.

A associação que saber as razões pelas quais a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) não utiliza o numeral na camisa em competições oficiais.

A “ação de justificação com pedido de explicações” foi distribuída ainda na noite de domingo (27/06), na 10ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A CBF ainda não se manifestou sobre a ação e a ausência do número 24 entre os convocados da Copa América.

O grupo pede respostas em 48 horas para estas cinco perguntas:

  • A não inclusão do número 24 no uniforme oficial nas competições constitui uma política deliberada da interpelada?
  • Em caso negativo, qual o motivo da não inclusão do número 24 no uniforme oficial da interpelada?
  • Qual o departamento dentro da interpelada,que é responsável pela deliberação dos números no uniforme oficial da seleção?
  • Quais as pessoas e funcionários da interpelada, que integram este departamento que delibera sobre a definição de números no uniforme oficial?
  • Existe alguma orientação da FIFA ou da CONMEBOL sobre o registro de jogadores com o número 24 na camisa?

O mês de junho é do orgulho LGBTQIA+ e o dia 28 de junho, é o Dia Internacional do Orgulho Gay. Alguns clubes brasileiros, como Flamengo, Fluminense, Vasco, entre outros, fizeram manifestações de respeito e apoio à causa. A CBF publicou uma mensagem em suas redes sociais. 

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A ação protocolada pelo grupo lembra que a CBF “tem papel preponderante neste debate.” Cita também que recentemente o Superior Tribunal de Justiça Desportiva passou a punir clubes com cantos homofóbicos de torcidas nos estádios.

“É dela a responsabilidade de mudar esta cultura dentro do futebol. Quando a CBF se exime de participar, a torcida entende que é permitido, que é aceitável, e o posicionamento faz com que, aos poucos, esta cultura mude.”

O texto do Grupo Arco-Íris, lembra uma determinada reportagem de programa esportivo de televisão em que mostra uma pesquisa em diversos clubes brasileiros que também não utilizam o número, cita que o 24 é constantemente, e historicamente, relacionado com o homem gay por conta do jogo do bicho, que associa este número ao veado, animal, que por sua vez, é utilizado como forma de ofensa para a comunidade LGBTI+.

“Sendo assim, o fato da numeração da seleção brasileira pular o número 24, considerando a conotação histórico cultural que envolta esse número de associação aos gays, deve ser entendido como uma clara ofensa a comunidade LGBTI+ e como uma atitude homofóbica.”

Justiça

A CBF terá 48 horas para explicar para a Justiça o motivo de a Seleção Brasileira não utilizar o número 24 em seu elenco masculino profissional que está disputando a Copa América. A decisão foi tomada pelo juiz Ricardo Cyfer, da 10ª Vara Cível. O juiz ainda determinou que uma multa diária de R$ 800 será aplicada caso a confederação não responda.

Na liminar, o juiz Ricardo Cyfer exalta a luta da comunidade LGBTQIA+ pelo fim da discriminação e ressalta a importância do esclarecimento da questão para reforçar a necessidade do debate.

“E como no Brasil a popularidade do futebol, esporte que ainda se insere nessa tradição masculina, ainda não foi suplantada por outro, sobressai-se a importância da adoção dessas medidas no contexto das suas competições”, declarou Cyfer.

No pedido feito pelo Grupo Arco Íris de Cidadania, a organização argumenta que todas as outras seleções participantes da Copa América utilizam o número 24, menos a seleção do Brasil. O grupo ainda explica a relação do número com a comunidade e mostra que a não utilização pode ser entendida como clara ofensa e atitude homofóbicas.

Da redação do Portal com informações do GE

 

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