Depoimento

Luis Miranda chega ao Senado com colete à prova de balas e Bíblia para depor na CPI da Covid

Deputado federal diz que denunciou a Bolsonaro ilegalidade no contrato da Covaxin.

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) chegou hoje ao Senado Federal, para depor à CPI da Covid, usando um colete à prova de balas. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Miranda presta esclarecimentos hoje à comissão no Senado ao lado do irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde que acusa Bolsonaro de ter ignorado denúncias relacionadas à vacina indiana Covaxin. O deputado também carregava uma Bíblia.

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O parlamentar chegou sem o irmão ao Senado. Questionado, ele disse que o servidor foi “abandonado pelos membros do Ministério da Saúde no aeroporto”. Miranda voltava de uma viagem oficial do ministério para os EUA para negociar as vacinas da Janssen. Segundo o deputado, o irmão precisou voltar em um voo comercial, por isso teria atrasado. “[Vim falar] a verdade, só a verdade”, disse Miranda. O servidor chegou a Brasília por volta de 14h45 e já está no Senado.

“Pra quem diz combater a corrupção, é muito estranha a atitude dele. […] Bolsonaro ainda vai pedir perdão para mim, eu tenho certeza. Ele vai perceber que a equipe dele é muito injusta”, disse o parlamentar ao chegar no Senado.

Mais cedo, o deputado publicou nas redes sociais uma foto do irmão ao lado de caixas do que seriam os imunizantes negociados nos EUA. “Esse é o irmão [Luis Ricardo] Miranda entregando para o povo brasileiro já desembaraçadas as 3 milhões de doses da vacina Janssen doadas pela [Embaixada dos EUA no Brasil”, escreveu.

Miranda também escreveu que, “logo mais, tentarão destruir a nossa imagem e o nosso trabalho e farão de tudo para ocultar a verdade”.

 

Luis Ricardo Miranda é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Ele relatou ao Ministério Público Federal e à imprensa ter recebido pressões para acelerar o processo de compra da Covaxin, da empresa indiana Bharat Biotech. A negociação está sob suspeita em razão do valor unitário das vacinas, considerado elevado, em torno de R$ 80, e da participação de uma empresa intermediária, a Precisa Medicamentos. Em entrevista ao jornal O Globo, Luis Ricardo disse ter alertado o presidente Jair Bolsonaro sobre as suspeitas. O governo nega qualquer irregularidade.

O requerimento convocando os depoentes foi do relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Renan e o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), relataram preocupação com a segurança dos depoentes. Aziz solicitou à Polícia Federal proteção para os irmãos. Em pronunciamento na quarta-feira (23), Onyx Lorenzoni, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, atacou o deputado e anunciou processo administrativo disciplinar contra o servidor.

Da redação do Portal de Prefeitura com informações da Agência senado e do UOL. 

 

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