Opinião

Artigo: A esquerda e a hipocrisia uma união indissolúvel – por Jason Medeiros

No último sábado (29/05) a esquerda política nacional liderada por figuras como Boulos, Lula, Haddad, Freixo, etc., realizou uma mobilização social como forma de protesto a gestão do atual governo federal.

Aqueles que já tiveram a oportunidade de estudar a Poética de Aristóteles provavelmente lembrar-se-ão da palavra grega ypokritikes (hipócrita), na tradução de Edson Bini. Esse termo correspondia às habilidades artísticas do ator em geral: atuação, encenação, interpretação, fingimento, discurso, retórica, etc.

A estrutura da palavra grega é formada pelo prefixo hipo-, que significa “sob”, e o verbo krinein, que significa “decidir”, ou seja, sugerindo uma deficiência na capacidade de decidir, uma falha no que se refere às próprias crenças e sentimentos, informando o significado contemporâneo da palavra de acordo com o Dicionário Online de Etimologia.

Entretanto, os gregos faziam uso distinto das palavras hipocrisia e hipócrita. Enquanto a primeira era comumente utilizada para designar performances públicas, nelas incluídas a arte da retórica, a segunda se tratava de um termo técnico para atores em cena, como vimos acima, não sendo adequado para figuras públicas. Um exemplo claro dessa distinção pode ser observado na crítica feita por Demóstenes ao seu rival Ésquines, quando este, após ter sido um ator de sucesso, ingressou na política e por essa razão foi considerado um político pouco confiável. Essa aura negativa em torno dos ypokritikes, combinada com o desdém que os romanos possuíam pelas figuras dos atores, como evidenciado pelo historiador americano Tenney Frank (1876-1939) em Filologia Clássica: O Status dos Atores em Roma (1931), possivelmente é a razão do estigma que carrega o termo hipócrita.

Para o aclamado analista social e linguista americano Noam Chomsky, por exemplo, a hipocrisia é definida como “a recusa de aplicar a nós mesmos os mesmos valores que se aplicam a outros”, sendo um dos mais baixos comportamentos sociais do homem e promovendo principalmente a injustiça na sociedade. Já para o historiador, também americano, Martin Jay em As Virtudes da Falsidade: A Mentira na Política (2012), a hipocrisia está invariavelmente ligada à política, e, portanto, conclui que como a política é necessária, e a mentira está diretamente ligada a ela, a falsidade não é de todo ruim. Será que você consegue descobrir a orientação política de Martin Jay? Rsrsrs…

Sendo assim, a hipocrisia nada mais é que a atitude de fingir ser o que não é; de simular virtudes, sentimentos e crenças que não possui; de condenar ações em terceiros enquanto as realiza, seja de forma consciente ou inconsciente. A hipocrisia também é conhecida como duplo padrão moral, ou seja, aquele velho ditado popular “dois pesos, duas medidas”.

Infelizmente, esse parece ser um traço intrínseco da personalidade daqueles que se identificam com o espectro político à esquerda, como sugere o psiquiatra americano Dr.º Lyle Rossiter em  A Mente Esquerdista: As causas psicológicas da loucura política (2006). Isso não significa dizer que as pessoas de esquerda possuem o monopólio da atitude hipócrita, mas sim que todo esquerdista é hipócrita, e não que toda hipocrisia deriva da esquerda.

Como forma de traduzir para a nossa realidade a introdução que foi feita até aqui, trarei agora um evento recente que confirma a hipocrisia dos indivíduos pertencentes aos coletivos canhotos.

No último sábado (29/05) a esquerda política nacional liderada por figuras como Boulos, Lula, Haddad, Freixo, etc., realizou uma mobilização social como forma de protesto a gestão do atual governo federal.

A principal pauta revindicada pelos manifestantes é o pedido de impeachment (impedimento) do Presidente da República Jair Bolsonaro, baseado no seu endosso às várias manifestações sociais promovidas em seu favor durante a pandemia de coronavírus, bem como na suposta negligencia na aquisição de vacinas pelo estado brasileiro, o que teria como efeito prático o aumento do número de mortes já que manifestações causam aglomeração com consequente contaminação maciça, e a falta de vacinas estaria impedindo que algumas mortes pudessem ser evitadas, sendo assim o responsável por um genocídio brasileiro.

Em artigo anterior, expus de forma clara e didática que acusar o atual presidente Bolsonaro de cometer genocídio não é somente impreciso, como também pode configurar crime de acordo com a legislação penal brasileira. E, em artigo mais recente, pude comentar brevemente sobre as ações governamentais para aquisição de vacinas que remontam pelo menos a abril de 2020, quando o Ministério das Relações Exteriores já possuía orientação de ingressar no consórcio Covax Facility, promovido pela OMS, assim que estivesse pronto (o que foi feito em setembro daquele ano).

Mas, para não divagarmos muito e nos concentrarmos no nosso tema, a hipocrisia, vamos comentar um pouco mais sobre as manifestações de 29/05/2021 (sábado).

Ora, a esquerda política desde o início da pandemia acusou e condenou a atitude dos seus antagonistas (à direita) por promoverem aglomerações, afirmando que elas contribuíam ativamente para a disseminação do vírus e para contaminação dos brasileiros que nada teriam haver com aqueles eventos sociais. Mas não somente agora como também no ano passado (alguém se lembra das manifestações “antifas”?), a esquerda promoveu as suas aglomerações na defesa das suas pautas e, portanto, contribuiu para a disseminação do vírus e consequente contaminação dos presentes e dos seus entes próximos, ou seja, entrando de forma inequívoca em contradição.

Perceba, o vírus não possui natureza humana e, portanto, não possui ideologia. Quero dizer que o fato de uma aglomeração ser patrocinada pela direita ou pela esquerda não faz nenhuma diferença a nível prático no quesito contaminação populacional. Se você é de esquerda e participa de uma aglomeração, o vírus não será capaz de discernir suas falas o seu posicionamento político e não contaminá-lo.

Há quem defenda que nas aglomerações da esquerda houve o respeito ao distanciamento social e o uso adequado de máscaras. Mas, se você tem acesso a internet para ler esse artigo, você também o têm para pesquisar fotos e vídeos dessas aglomerações ocorridas em várias cidades do Brasil, e constatar o óbvio, de que não havia distanciamento social algum (com exceção de raras imagens previamente planejadas) e várias pessoas inutilizando máscaras de proteção ou usando-as de forma inadequada. E ainda houve quem dissesse, no início da semana passada, que era apressado acusar de hipócrita os promotores e participantes do evento. Rsrsrs…

Em todo caso, aqui já fica exposta mais uma hipocrisia dos esquerdistas. Eles sempre criticaram qualquer forma de “flexibilização” do lockdown, não aceitando que igrejas, shoppings, ou praças pudessem funcionar mesmo com o uso de máscaras e o distanciamento social. Mas como meio de justificar suas aglomerações, dizem que lá eles adotaram essas medidas, o que é tanto uma mentira descarada como uma atitude hipócrita.

Outro ponto lamentável, mas curioso, foi a postura da Polícia Militar durante a manifestação na cidade de Recife/PE. Num dado momento da aglomeração, os policiais dispersaram os manifestantes empregando técnicas de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Durante o processo, a vereadora Liana Cirne do PT chegou a ser atingida por um spray de pimenta, e um transeunte ficou gravemente ferido por uma bala de borracha.

Logo após esse incidente com a polícia, que foi transmitido ao vivo através das redes sociais como, por exemplo, a Mídia Ninja, surgiu a seguinte narrativa: “como os PMs são apoiadores de Bolsonaro, e se tratava de uma manifestação que se opunha ao seu governo, os policiais se sentiram compelidos a minguá-la inclusive com o uso exacerbado de violência”.

Como expliquei em artigo recente, a lógica não é um ponto forte dos indivíduos de esquerda, e por isso mesmo há sérias falhas no raciocínio acima, vejamos: 1) Nem todo policial é de direita ou bolsonarista; 2) Caso o fossem, e esse fato fosse o responsável pela ação policial, seria esperado que o mesmo houvesse ocorrido em todas (ou quase todas) as manifestações de esquerda pelo país, o que não houve; 3) Não somente Bolsonaro perdeu as eleições em Recife, capital de Pernambuco, o que indica que sua influência política é menor aqui que em outros lugares, como o atual governador é franco opositor do seu governo e é o comandante máximo das forças de segurança; 4) Nas últimas semanas o governador Paulo Câmara emitiu decretos proibindo o funcionamento de diversos estabelecimentos, visando coibir as aglomerações sociais nos finais de semana, com o intuito de baixar o número de casos que vêm aumentando, logo temos a provável motivação para a ação da PM.

E, para completar, os esquerdistas endossaram, ou no mínimo se calaram, diante de todos os abusos policiais registrados desde o início da pandemia contra trabalhadores, profissionais autônomos e empresários, ou seja, mais uma flagrante e incontestável hipocrisia.

Sem dúvidas foi um episódio que poderia ter tido um desfecho distinto, mas que carece de uma investigação mais profunda antes que se fale qualquer coisa sobre o mérito da ação policial e se puna exemplarmente os responsáveis pelos possíveis excessos no uso da força.

Por fim, gostaria de acalentá-lo e afirmar que nem tudo está perdido. Há uma série de antídotos que você esquerdista pode aplicar a sua vida para escapar do seu inevitável destino, a hipocrisia. Apresentarei a você apenas um deles, que é o Imperativo Categórico formulado pelo iluminista prussiano Immanuel Kant (1724-1804) em Fundamentação da metafísica dos costumes (1785), diz ele: “aja como se a máxima de sua ação devesse tornar-se, pela sua vontade, uma lei universal da natureza”. Esse princípio norteia a ação moral do indivíduo, constrangendo-o a agir de tal forma que sua ação deva se tornar uma lei humana universal, ou seja, agindo como entende que os outros deveriam agir consigo mesmo, de tal modo que não haverá prejuízo nas relações humanas e aquela ação será perpetuada por seu caráter moral natural, não havendo espaço para contradições, logo, não podendo um agir daquela maneira e outro ser condenado por agir da mesma forma. Aplicando o princípio ao nosso tema, não se pode condenar uma aglomeração por suas consequências, e realizar o mesmo ato, com as mesmas consequências, mesmo que por razões distintas, sem entrar em contradição. Assim sendo, se você aplicar corretamente esse princípio filosófico às suas ações, não haverá lugar para a atitude e o discurso hipócrita.

É perfeitamente possível o esquerdista acreditar que aglomeração mata gente e justificar os atos de ontem. Matar gente pra atingir seus objetivos sempre fez parte do repertório revolucionário. Não há contradição, nem novidade por aqui” – Eduardo Matos de Alencar

Por: Jason Medeiros

Jason de Almeida Barroso Medeiros, 27 anos, bacharelando em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco; Oficial da Reserva do Exército Brasileiro pelo CPOR/R; Colunista no Portal de Prefeitura; Entusiasta da filosofia política e editor do perfil @ocontribuinteoriginal no Instagram.

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