Presença

Pela primeira vez como presidente, Bolsonaro visita terras indígenas

O mandatário brasileiro chegou a colocar um cocar na cabeça, assistiu a um ritual da comunidade na Terra Indígena Balaio e inaugurou uma ponte.

O presidente Jair Bolsonaro visitou na última quinta-feira (27), pela primeira vez como presidente, duas terras indígenas na Amazônia. O chefe do executivo insistiu na visita apesar de críticas dos nativos às ações do governo que vêm ajudando a liberar áreas protegidas para grileiros.

Antes da visita presidencial, os  caciques, tuxauas, líderes e gestores das associações Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (AYRCA) e das Mulheres Yanomami Kumayama (AMY) divulgaram carta de repúdio à ida de Bolsonaro a suas terras.

Para eles, o objetivo da primeira visita do presidente a uma terra indígena visa somente a tratar e tentar acordar “a legalização de mineração no território Yanomami”.

“Essa não é a nossa ansiedade yanomami”, afirmam.

O presidente, que chegou à comunidade usando máscara, não retirou o equipamento de proteção durante a visita.

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Construída pelo exército brasileiro, a ponte é chamada de Rodrigo Cibele e é passagem para o território Yanomami, alvo de invasões de garimpeiros ilegais. A ponte tem 18 metros de extensão.

A visita do presidente ocorreu um dia após garimpeiros que exploravam ilegalmente terras dos indígenas munduruku no Alto Tapajós, no Pará, dispararem contra uma comunidade e incendiarem a casa de uma liderança.

Em 29 de abril, em sua live semanal, Bolsonaro defendeu a mineração em reservas indígenas, afirmando que esses 14% do território brasileiro têm um grande potencial.

Na ocasião, anunciou a intenção de ir até unidades do Pelotão de Fronteira do Exército (PEF), para “dar uma olhada na região e oficializar alguma coisa”.

Segundo a Convenção 169 da Organização Mundial do Trabalho (OIT), a comunidade deveria ser previamente consultada e deveria haver um consenso entre os líderes. Essa também é uma tradição dos indígenas.

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