Opinião

Artigo – Falácia lógica: Reductio/Argumentum ad Mussolinium/Fascismum – por Jason Medeiros

Na manhã do último domingo (23/05) o Presidente da República Jair Bolsonaro participou de um ato político no estado do Rio de Janeiro, que vem sendo nominado como “motociata”.

Na manhã do último domingo (23/05) o Presidente da República Jair Bolsonaro participou de um ato político no estado do Rio de Janeiro, que vem sendo nominado como “motociata” (uma “marcha” feita com motocicletas). Acompanhado por milhares de pedestres e motoqueiros, Bolsonaro percorreu aproximadamente 60 km.

Falácia, Artigo – Falácia lógica: Reductio/Argumentum ad Mussolinium/Fascismum – por Jason Medeiros
Evento que reuniu milhares de motoqueiros. Foto: Divulgação

Logo após a divulgação das imagens do ruidoso evento pelos veículos de mídia e pelas redes sociais, vários setores da oposição iniciaram um ataque contra a imagem do Presidente Bolsonaro, reciclando uma antiga e mofada narrativa, a de que ele é um fascista por excelência, em função da participação no referido ato. Essa acusação é baseada num fato histórico conhecido, o de que Mussolini (1883-1945) na década de 30 realizou uma ação semelhante com os seus apoiadores.

Algumas das figuras públicas que propagaram a já cansada narrativa foram a ex-candidata a vice-presidência da república Manuela d’Ávila, pela chapa do PT de Fernando Haddad, mas que é filiada ao Partido Comunista do Brasil, e os deputados federais Marcelo Freixo e Sâmia Bomfim, ambos filiados ao PSOL, veja:

Falácia, Artigo – Falácia lógica: Reductio/Argumentum ad Mussolinium/Fascismum – por Jason Medeiros
Postagens de redes sociais. Foto: Divulgação

Uma imputação da mesma natureza já havia sido feita recentemente pela oposição, quando comparou a ação de Bolsonaro, de nadar no mar para cumprimentar seus apoiadores, a ato semelhante realizado pelo ditador fascista Mussolini. Esqueceram, no entanto, que uma das figuras mais marcantes da história por suas habilidades de natação, muitas vezes praticadas ao lado dos seus adeptos, era justamente o ditador comunista Mao Zedong (1893-1976), referência máxima para o esquerdista Paulo Freire (1921-1997).

Ocorre que essa narrativa é completamente falsa e eu posso provar isso a você. Sigamos então para uma breve, mas instrutiva aula sobre Lógica, ciência tão negligenciada pelos opositores ao atual governo federal.

A Lógica, assim como tantas outras ciências, foi concebida pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-321 a.C.). Nas suas obras que compõem o Órganon, dedicadas às bases da lógica formal, o filósofo nos ensina que os falsos silogismos são raciocínios equivocados que surgem por estarem apoiados em pressupostos falsos; ou seja, nascem de uma premissa falsa, viciada na origem, de uma falha na definição.

Falácias lógicas ou paralogismos são raciocínios e argumentos errados, mas que possuem algum grau de verossimilhança. Tanto para a lógica quanto para a retórica, os paralogismos são raciocínios logicamente sem validade, e falhos na tentativa de provar aquilo que afirmam. Muitos desses falsos silogismos são reproduzidos por puro erro do emissor, sem qualquer intencionalidade. Mas, muitas vezes esses raciocínios são utilizados com má-fé para persuadir o interlocutor e levá-lo ao erro.

Existe uma variedade imensa de falácias conhecidas e estudadas pela Lógica. Mas para o tema de hoje iremos nos concentrar exclusivamente numa falácia de dispersão, que irei chamar de reductio/argumentum (redução/argumento) ad (ao) Mussolinium/Fascismum (Mussolinismo/Fascismo).

Na realidade essa falácia é uma variante da famosa reductio/argumentum (redução/argumento) ad (ao) Hitlerum/Nazium (Hitlerismo/Nazismo), cunhada pelo filósofo político teuto-americano Leo Strauss (1899-1973) em Direito Natural e História (1953), veja:

“Para que se veja isso mais claramente e se veja ao mesmo tempo por que Weber pôde ocultar de si mesmo a consequência niilista de sua doutrina de valores, precisamos seguir o seu pensamento passo a passo. Ao seguirmos esse movimento até os seus últimos desdobramentos, teremos inevitavelmente atingido um ponto para além do qual a sombra de Hitler começa a obscurecer a cena. Infelizmente, não é de todo inútil dizer que, ao longo de nosso exame, devemos evitar a falácia que nas últimas décadas tem sido frequentemente usada como substituto da reductio ad absurdum: a reductio ad Hitlerum. Uma concepção não é refutada pelo fato de ela ter sido partilhada por Hitler.”

Como bem disse Strauss, a falácia da redução ao Hitlerismo já é uma variante da falácia de redução ao absurdo (reductio ad absurdum), que consiste na análise de uma premissa que leva a um resultado absurdo ou ridículo, para então invalidar aquele pressuposto.

Já a nossa variante reductio/argumentum ad Mussolinium/Fascismum (redução/argumento ao Mussolinismo/Fascismo), consiste em invalidar um argumento ou condenar uma ação pela comparação com ações do ditador italiano Mussolini e/ou do regime fascista, por exemplo:

A: Mussolini andou de moto com os seus apoiadores;

B: Mussolini foi fascista;

C: Bolsonaro andou de moto com os seus apoiadores;

Falácia lógica: Já que Bolsonaro andou de moto com os seus apoiadores (C), assim como fez Mussolini (A), e Mussolini foi fascista (B), logo Bolsonaro também o é.

Vejamos mais um exemplo que ilustra quão ilógico é esse raciocínio:

A: Mussolini e Stalin foram presos pela polícia;

B: Mussolini e Stalin foram ditadores totalitários;

C: Lula foi preso pela polícia;

Falácia lógica: Já que Mussolini e Stalin foram presos pela polícia (A), e foram ditadores totalitários (B), Lula por ter sido preso pela polícia (C) também o é.

Falácia, Artigo – Falácia lógica: Reductio/Argumentum ad Mussolinium/Fascismum – por Jason Medeiros
Na foto, o ex-presidente do Brasil Lula. Foto: Divulgação

Ou seja, se os “raciocínios” expostos fossem considerados verdadeiros, toda e qualquer pessoa que andasse com de moto com seus partidários deveria ser considerado um fascista; e toda pessoa que já foi presa seria considerada um ditador totalitário. Nada mais absurdo, ilógico, e reducionista.

Encerrada a aula de hoje, como prometido, resta provado que a alegação de que Bolsonaro seria fascista por andar de moto com os seus apoiadores, assim como fez Mussolini, é terminantemente falsa.

Gostaria de encerrar sinalizando o leitor de que esse texto não fez qualquer juízo de valor do ato político em si, mas apenas expus a falta de rigor lógico e excesso de misologia, que é tão comum aos militantes de esquerda, e ressaltar que muito embora vários opositores tenham criticado o ato não pela suposta referencia ao fascismo, mas sim pela aglomeração provocada, estão convocando manifestações para o próximo dia 29/05. Enfim a hipocrisia.

Por: Jason Medeiros

Jason de Almeida Barroso Medeiros, 27 anos, bacharelando em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco; Oficial da Reserva do Exército Brasileiro pelo CPOR/R; Colunista no Portal de Prefeitura; Entusiasta da filosofia política e editor do perfil @ocontribuinteoriginal no Instagram.

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