Investigação

Grupo João Santos é alvo de operação da PF por crimes de lavagem de dinheiro e trabalhistas em R$ 8,6 bilhões

Trabalhadores do grupo empresarial, do Cimento Nassau, ficavam sem receber salários e direitos trabalhistas. Além dos tributos, dívidas trabalhistas somam R$ 55 milhões, segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional.

O Grupo João Santos, dono da empresa Cimento Nassau e um dos maiores grupos empresariais do Nordeste, é alvo de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF), da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e da Receita Federal. São investigados crimes tributários, financeiros, trabalhistas e de lavagem de dinheiro.

O grupo, segundo a Procuradoria da Fazenda, tem dívidas tributárias, de R$ 8,6 bilhões, e trabalhistas, de R$ 55 milhões.

Denominada Background, a operação foi desencadeada nesta quarta-feira (5) e teve 53 mandados expedidos para endereços pela 4ª Vara Penal da Justiça Federal em Pernambuco, São Paulo, Amazonas, Pará e Distrito Federal.

“Essa empresa possui débitos no Norte, Nordeste e Sudeste. A Procuradoria iniciou um trabalho devido ao passivo tributário. A dívida inicia na Receita e é encaminhada para a procuradoria, quando o contribuinte não quita essa dívida”, explicou o procurador-regional da Fazenda Nacional em Pernambuco, Alexandre Freire.

De acordo com a PF, mais de 240 policiais cumprem medidas judiciais nos quatro estados e no Distrito Federal. A PF informou, o grupo investigado é suspeito de organizar um sofisticado esquema contábil-financeiro para desviar o patrimônio das empresas do grupo. Esses valores eram transferidos para sócios e interpostas pessoas (laranjas).

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Isso era feito para sonegar impostos e direitos trabalhistas de centenas de empregados. Esses trabalhadores, de acordo com as investigações, ficavam sem receber salários e outros direitos trabalhistas.

A operação busca, também, permitir que as famílias de trabalhadores recuperem os seus direitos por meio da Justiça do Trabalho, que, inclusive, já os reconheceu formalmente. Entre as empresas pertencentes ao grupo com as maiores dívidas estão:

Celulose e Papel de Pernambuco S/A (Cepasa);

Companhia Brasileira de Equipamento (CBE);

Itabira Agro Industrial S/A;

Itapessoca Agro Industrial S/A;

Itautinga Agro Industrial S/A;

Sociedade de Táxi Aéreo Weston LTDA;

Nassau Editora Rádio e TV LTDA.

A investigação foi nomeada Background devido à suspeita de ocultação de patrimônio com a criação de empresas paralelas e sócios aparentes.

As investigações, por parte da procuradoria, iniciaram em 2018. Segundo Freire, ao entrar em contato com a Polícia Federal, a procuradoria soube que havia um inquérito em andamento que tinha o alvo o mesmo grupo empresarial.

Cerca de 50 procuradores da Fazenda Nacional trabalham na ação, além de 53 equipes da Polícia Federal e várias equipes de auditores fiscais da Receita Federal.

Nesta fase, segundo a PF, as investigações buscam colher “elementos de materialidade e indícios de autoria”, para, posteriormente, recuperar o patrimônio desviado e ocultado pelos investigados.

Fonte G1/PE

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